África Subsaariana | Economia

Zimbábue chega a acordo com o FMI sobre programa de reforma económica

O Zimbábue chegou a um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre um programa de políticas económicas e reformas estruturais que podem abrir o caminho para o país, longamente  atingido pela crise, se envolver novamente com instituições financeiras internacionais.

Sofrendo há décadas de declínio e hiperinflação, o Zimbábue não tem conseguido empréstimos de credores internacionais desde 1999, quando entrou em incumprimento da dívida acumulando atrasos de cerca de 2,2 mil milhões de dólares com o Banco Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento e o Banco Europeu de Investimento.

“O Zimbábue está a enfrentar desequilíbrios macroeconómicos profundos, com grandes déficits fiscais e distorções significativas no câmbio e em outros mercados, que prejudicam gravemente o funcionamento da economia”, declarou Gene Leon, líder da equipa do FMI, em comunicado.

O Zimbábue também enfrenta o desafio de responder à seca e à devastação causada pelo ciclone Idai, lembrou Leon.

Sob o acordo com o FMI, as políticas visam a eliminação do déficit fiscal de dois dígitos do governo e na adoção de reformas para permitir que as forças de mercado impulsionem o funcionamento do câmbio e de outros mercados financeiros.

Segundo Leon, as políticas acordadas podem remover distorções que impediram o crescimento do setor privado, mas não deram metas específicas para a redução do déficit ou outros objetivos. O responsável não referiu se e quando algum novo apoio financeiro do FMI estaria disponível.

O Zimbábue pediu na terça-feira 613 milhões de dólares em ajuda de doadores locais e estrangeiros para cobrir as importações de alimentos e ajudar na crise humanitária após o Ciclone Idai.

Leon encontrou-se com o ministro das Finanças, Mthuli Ncube, o governador do Banco de Reserva do Zimbábue (RBZ), John Mangudya, e outros funcionários, numa continuação de conversações que visam implementar um conjunto de políticas que facilitam o retorno à estabilidade económica.

O acordo ainda será sujeito a revisão pela administração do FMI, acrescentou Leon. “A implementação bem sucedida ajudará na construção de um histórico e facilitará o envolvimento do Zimbábue com a comunidade internacional”, adiantou.

O FMI relatou na sua previsão económica mundial nesta semana que a economia do Zimbábue vai contrair 5,2% este ano. Esta seria a primeira vez que a economia entraria em recessão desde 2008, quando a economia encolheu 16,5% no auge da hiperinflação.

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