África Subsaariana

Zimbabwe: ONU alerta para que a fome está a chegar ao país

Foto Ben White / Unsplash

Hilal Elver, relatora especial das Nações Unidas sobre o direito à alimentação e especialista em direitos humanos, alertou que a fome está “lentamente a chegar” ao Zimbabwe, com a maioria das famílias incapazes de obter comida suficiente para atender às suas necessidades básicas.

Elver fez a sua avaliação da situação atual após uma visita de 11 dias ao país, informou a UN News.

A hiperinflação atingiu 490%, com mais de 60% da população enfrentando insegurança alimentar num país que já foi visto como o celeiro da África.

“Nas áreas rurais, um número impressionante de 5,5 milhões de pessoas está atualmente a enfrentar insegurança alimentar, já que chuvas fracas e padrões climáticos irregulares estão a afetar as colheitas e os meios de subsistência”, indicou Elver.

Hilal Elver / Foto: www.slowfood.com

“Nas áreas urbanas, estima-se que 2,2 milhões de pessoas não tenham segurança alimentar e não tenham acesso a serviços públicos mínimos, incluindo saúde e água potável”.

Descrevendo os números como “chocantes”, a especialista da ONU alertou que, devido a fatores como pobreza e alto desemprego, corrupção generalizada, preços severos e instabilidade económica e sanções económicas unilaterais, a crise agrava-se.

De acordo com a relatora, são as mulheres e crianças que sofrem a maior parte da crise, acrescentando que a maioria das crianças com que contactou estava atrofiada e com baixo peso.

As mortes de crianças por desnutrição grave aumentaram nos últimos meses e 90% das crianças do Zimbabwe com idades entre seis meses e dois anos não estão a consumir a dieta mínima aceitável, disse Elver.

A situação das mulheres é igualmente traumática, com muitas pessoas cada vez mais forçadas a abandonar a escola, sendo forçadas a casar e a prostituir-se precocemente e sujeitas a violência doméstica e exploração sexual.

Devido à gravidade da situação, Elver disse que são necessárias reformas urgentes e imediatas, incluindo a redução da dependência do país de alimentos importados e a diversificação da dieta.

Elver defendeu também que o governo deve criar condições para a produção de sementes tradicionais para garantir a auto-suficiência e a preparação do país para choques climáticos.

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