África Subsaariana

Zimbabwe: ONU condena centros de quarentena de Covid-19

As Nações Unidas condenaram a baixa qualidade das instalações de quarentena do Zimbabwe, para fazer face ao aumento de casos da pandemia de Covid-19, apontando os saques maciços de fundos por funcionários do governo e pessoas ligadas à elite política, informa o The Independent.

Um relatório intitulado Avaliação das instalações de quarentena Covid-19 no Zimbabwe, compilado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização Internacional para a Migração (OIM), juntamente com o ministério da Saúde e Assistência à Criança, concluiu que os centros não estão a funcionar de maneira ideal.

Na quarta-feira passada o Zimbabwe tinha 320 casos confirmados de Covid-19, com a maioria sendo de retornados sob isolamento em centros de quarentena.

Faltam orientações sobre como as instalações devem funcionar e os requisitos mínimos não estão claramente definidos. Não há orientação sobre questões de IPC (prevenção e controlo de infeção) nas instalações. Geralmente, os EPIs (equipamento de proteção individual) são escassos”, refere o relatório.

Nalgumas instalações, papéis e responsabilidades não estão claramente definidos. Os trabalhadores carecem de informações e conhecimentos básicos sobre o Covid-19. Os ocupantes não estão a cumprir as medidas máximas de segurança para evitar ou limitar a transmissão dentro das instalações”.

O relatório também observou falta de adesão ao distanciamento social, falta de higiene, falta de pessoal, falta de assistência médica e recolha incoerente de dados, entre outras práticas precárias.

De acordo com o Instrumento Estatutário 83 de 2020, todos os repatriados devem passar por quarentena obrigatória durante 21 dias. No entanto, as terríveis condições nos centros de quarentena resultaram em que alguns repatriados escapassem das instalações, enquanto protestos e confrontos ocorreram noutros devido a atrasos nos testes e em libertar os retornados.

Todos os repatriados devem ser testados no momento de admissão e de alta, mas o relatório da ONU observou que em 100% das instalações os resultados chegam muito tarde ou não chegam.

Isso faz com que os ocupantes fiquem sem conhecer o seu status de Covid-19 e prolonga a estadia nas instalações“, indica o documento.

A ONU fez várias recomendações, incluindo a triagem e o teste do pessoal que trabalha nos centros, mobilizando suprimentos adequados para a recolha de amostras e garantindo a distribuição equidistante às instalações, desenvolvendo e distribuindo procedimentos e diretrizes operacionais padrão para os centros, formação de pessoal e fornecimento de suprimentos adequados para prevenção e controlo de infecções.

A divulgação do relatório acontece numa altura de revelações de corrupção maciça na aquisição de materiais para o Covid-19, com roupas e equipamentos de proteção sendo vendidos ao governo a preços inflacionados. Entre as empresas envolvidas nos escândalos estão a Drax International e a Jaji Investments, vinculadas à família do presidente Emmerson Mnangagwa.

Durante a avaliação da ONU, foram analisados 37 centros de quarentena, dos quais 34 pertencem ao Ministério da Educação, um à Comissão Florestal, um é um hotel e outro centro pertence à Comissão da Função Pública.

As instalações tinham uma capacidade total de 5 790 camas, mas no momento da visita de avaliação, havia um total de 1 889 ocupantes, constituindo 33% de ocupação. Entre outras preocupações levantadas pela ONU estavam a escassez de pessoal, incluindo profissionais de saúde, sobrecarregando o pessoal disponível e criando uma falta de responsabilidade.

Os utentes lavam as suas próprias roupas, com exceção dos cobertores e lençóis que são embrulhados em sacos plásticos e aguardam serviços de lavandaria externos, no entanto, nenhuma das roupas foi recolhida até ao momento. Nalgumas instalações, foram observados funcionários de limpeza lavando a roupa sem EPI”, indica o relatório.

Apenas 43% dos Centros de Quarentena (CQs) avaliados informaram que limpam e desinfetam habitualmente as superfícies. Apenas 62% tinham água corrente. Apenas 30% dos CQs avaliados tinham EPIs para o pessoal. Apenas 41% dos CQs avaliados foi implementada distância física de pelo menos 1 metro entre indivíduos em quarentena”.

“Apenas 38% dos CQs avaliados forneciam serviços médicos para outras condições além do Covid-19, enquanto 24% dos CQs avaliados relataram ter acesso a ambulância, caso houvesse necessidade de encaminhar qualquer um dos indivíduos em quarentena. Apenas 48,6% das instalações têm uma pessoa designada responsável pela gestão de dados, com 46% realizando a recolha de dados de rotina“.

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