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Donald Trump impõe embargo económico contra a Venezuela

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva impondo um embargo económico contra a Venezuela, no mais recente movimento contra o presidente Nicolas Maduro e seu governo.

A ordem, assinada na segunda-feira, congela todos os ativos do governo venezuelano nos Estados Unidos e proíbe transações com as suas autoridades.

Trump deu o passo “à luz da contínua usurpação do poder por Nicolas Maduro e pessoas afiliadas, bem como abusos dos direitos humanos”, de acordo com o comunicado.

O Wall Street Journal refere que a medida foi a primeira contra um governo do hemisfério ocidental em mais de 30 anos e impõe restrições a Caracas semelhantes às enfrentadas pela Coreia do Norte, Irão, Síria e Cuba.

As sanções anteriores tiveram como alvo a indústria petrolífera da Venezuela, a fonte da maior parte das receitas de exportação do país.

A ordem mais recente afeta “todas as propriedades e interesses em propriedade do Governo da Venezuela que estejam nos Estados Unidos, que daqui por diante entrem nos Estados Unidos, ou que sejam ou posteriormente entrem na posse ou controlo de qualquer pessoa dos Estados Unidos”.

Esses ativos “estão bloqueados e não podem ser transferidos, pagos, exportados, retirados ou de outra forma negociados”, indica a ordem.

A medida também impede transações com autoridades venezuelanas cujos ativos estão bloqueados. Proíbe “a realização de qualquer contribuição ou provisão de fundos, bens ou serviços por, para ou em benefício de qualquer pessoa cujas propriedades e interesses em propriedade estejam bloqueadas de acordo com esta ordem”, bem como “o recebimento de qualquer contribuição ou provisão de fundos, bens ou serviços de qualquer pessoa”.

No entanto, há relatos de que os EUA vão emitir “dispensas” para remessas e ajuda humanitária.

“A Venezuela está a enfrentar um golpe legal transnacional planeado pelo governo dos EUA”, disse o vice-presidente Delcy Rodriguez em entrevista à rádio local Union Radio. “Eles são mentirosos, golpistas e ladrões … [querem] tirar à Venezuela os seus ativos no exterior”.

O líder da oposição venezuelana, Juan Guaido, declarou-se presidente interino no começo do ano numa tentativa de afastar Maduro do poder, um passo apoiado pelos EUA e dezenas de outros países.

“Esse embargo não terá um efeito direto sobre a saída do governo de Maduro, nem resultará em uma mudança na posição do governo na mesa de negociação de Barbados [negociações entre o governo e a oposição]”, considerou Carlos Pina, analista venezuelano, em declarações à Al Jazeera.

“Isso significa que, longe de convidar o governo de Maduro a ceder, haverá uma situação de crescente tensão em ambos os lados. O governo mostrou que tem capacidade para lidar com pressões externas e, especificamente, com sanções económicas. Também deve ser lembrado que Maduro tem aliados como a China e a Rússia que poderiam eventualmente ajudar o seu governo a superar as novas sanções.”

O país, rico em petróleo e pobre em dinheiro, está em profunda recessão há cinco anos. A escassez de alimentos e medicamentos é frequente e os serviços públicos estão a falhar progressivamente.

Cerca de um quarto dos 30 milhões de habitantes da Venezuela precisa de ajuda, de acordo com as Nações Unidas, enquanto 3,3 milhões de pessoas deixaram o país desde o início de 2016.

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