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EUA: Donald Trump justifica que abortou o ataque ao Irão para poupar vidas iranianas

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou na sexta-feira que abortou um ataque militar de retaliação ao ataque do Irão a um drone dos Estados Unidos porque poderia ter matado 150 pessoas e sinalizou que está aberto a negociações com Teerão, de acordo com a Reuters.

Um míssil terra-ar iraniano destruiu um drone de vigilância dos EUA Global Hawk na quinta-feira. Teerão indicou que o drone foi abatido sobre o seu território e Washington disse que ocorreu no espaço aéreo internacional sobre o Estreito de Hormuz.

O incidente agravou os receios de um choque militar direto entre os dois países. O petróleo subiu mais de 1%, para acima de 65 dólares por barril, na sexta-feira, devido às preocupações sobre possíveis interrupções nas exportações de petróleo do Golfo.

A decisão de Trump de cancelar o que disse que era um ataque planeado a três locais, sugere que quer uma solução diplomática para acabar com semanas de tensões com o Irão, que Washington acusa de uma série de ataques a petroleiros na região do Golfo.

Em declarações à NBC, Trump reiterou que não está à procura de uma guerra, “e se houver, será uma obliteração como nunca se viu antes. Mas eu não quero fazer isso”, declarou na sexta-feira à noite.

Fontes iranianas disseram à Reuters que Trump tinha avisado Teerão via Omã que um ataque dos EUA era iminente, salvaguardando que era contra a guerra e queria negociações. Washington também solicitou uma reunião fechada do Conselho de Segurança da ONU na segunda-feira.

O Departamento de Estado negou o testemunho da Reuters. “Os relatos de que uma mensagem foi passada ontem à noite para os iranianos através via Omã são completamente falsos. Esses relatórios são pura propaganda iraniana ”, escreveu a porta-voz do departamento Morgan Ortagus no Twitter.

Numa série de tweets matinais, Trump disse não ter pressa em lançar uma ataque e que as sanções económicas norte-americanas projetadas para forçar o Irão a abrandar os seus programas nucleares e de mísseis e o seu envolvimento em guerras regionais estavam a surtir efeito.” Nós estávamos armados e carregados para retaliar a noite passada”, twittou Trump.

“Dez minutos antes do ataque desisti, por não ser proporcional ao abate de um drone não tripulado. Eu não estou com pressa, o nosso arsenal militar está renovado e pronto para ir, é de longe o melhore do mundo”, escreveu Trump na rede social.

Num ataque, as forças armadas dos EUA procurariam atingir instalações iranianas que pudessem ter ligação com o abatimento do drone norte-americano. Os militares não procurariam infligir baixas e, embora as baixas militares iranianas pudessem ocorrer num ataque, as previsões de 150 são normalmente apenas estimativas aproximadas.

O assessor de segurança nacional da Casa Branca, John Bolton, o secretário de Estado, Mike Pompeo, e a diretora da CIA, Gina Haspel, juntamente com o resto da equipa de Trump, apoiaram um ataque retaliatório, revelou à Reuters uma autoridade do governo Trump. “Houve total unanimidade entre os assessores do presidente e a liderança do Departamento de Defesa numa resposta adequada às atividades do Irão”, disse a fonte.

A decisão de Trump atraiu críticas mistas em Washington, com algumas pessoas criticando-o por recuar, enquanto outras, notadamente democratas veteranas, elogiaram o que viram como moderação.

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