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Pequim pode bloquear acesso da marinha dos EUA ao sul do mar da China

Os últimos meses têm evidenciado desenvolvimentos dramáticos na questão do controlo da mais importante rota marítima mundial, no mar do sul da China. O domínio hegemónico e indisputado, durante décadas, da marinha norte-americana na Ásia tal como o conhecemos está a chegar ao fim em razão da afirmação da China como potência regional que reclama para si a primazia na região.

A reconhecida vulnerabilidade económica da China, que se acentuou significativamente no último ano, não impediu a implementação de uma política assertiva, de pendor belicista, da China nesta região que no espaço de dois meses redefiniu de forma dramática o contexto operacional do seu espaço marítimo adjacente.

Logo no início do ano, em janeiro, a China levou a cabo um exercício aéreo bem sucedido com o objetivo de testar a operacionalidade das infras-estruturas aero-portuárias que construiu no arquipélago de Spralty. Logo depois,a China instalou uma plataforma de exploração petrolífera em águas reclamadas pelo Vietname e quando, na sequência da cimeira do presidente Obama com os líderes aliados do sudoeste asiático em Sunnyland, começaram a intensificarem-se as pressões diplomáticas regionais para travar esta ofensiva geopolítica de Pequim na região, a China numa jogada de antecipação voltou a instalar o seu sistema de mísseis terra-ar HQ-9 no disputado arquipélago de Paracel. Dias depois, a China deslocou aviões de combate para as novas facilidades aero-portuárias e instalou um radar de alta frequência em quatro ilhas artificiais, conforme noticiado aqui, o que na prática habilita a China a controlar todo o espaço aéreo e marítimo do sul do mar da China e fez soar as campainhas de alarme em Washington.

Com estes desenvolvimentos, a China goza atualmente de uma vantagem militar estratégica nesta região que enfraqueceu a tradicional hegemonia dos EUA e levanta dúvidas sobre a possibilidade de a mesma poder vir a ser recuperada exclusivamente por meios político-diplomáticos. Na realidade, a China dispõe agora de condições e meios para bloquear o acesso da marinha norte-americana e da NATO a esta região, desafio ao qual o Departamento de Estado já reagiu publicamente, re-afirmando a determinação dos EUA para continuar a patrulhar ativamente esta região e a garantir a livre circulação das embarcações no que considera serem águas internacionais.

 

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