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Venezuela: Maduro interrompe negociações com oposição após sanções dos EUA

As negociações marcadas para quinta-feira e sexta-feira em Barbados foram arquivadas quando Caracas acusa o presidente dos Estados Unidos de impasse.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, ordenou que os representantes do seu governo não viajem para Barbados para negociações agendadas com a oposição  a partir de quinta-feira, culpando as sanções americanas pelo impasse.

Maduro “decidiu não enviar a delegação venezuelana” para negociações com representantes do líder da oposição Juan Guaido, na quinta e na sexta-feira, “devido à grave e brutal agressão” que é “continuamente levada a cabo pelo governo Trump contra a Venezuela”, refere a declaração do governo.

Os dois lados começaram a reunir-se em Barbados em julho para procurar uma solução para o impasse político no país.

“Os venezuelanos notaram como o líder da delegação da oposição, Juan Guaido, celebrou e promoveu essas ações que são prejudiciais à soberania nacional”, relatou o Ministério da Informação num comunicado.

Em entrevista à Al Jazeera, Carlos Pina, um analista político venezuelano, disse que a reação de Maduro às últimas sanções dos EUA “era previsível”, mas que acredita que “não implica que o governo deixará a mesa de negociações permanentemente”, acrescentando que Caracas pode estar a tentar ganhar tempo.

Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou o congelamento de todos os ativos do governo venezuelano nos EUA e impediu transações com as suas autoridades.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, considerou as últimas sanções dos EUA uma “ameaça global” e um ataque à propriedade privada. “Todos os países que têm investimentos nos EUA devem ficar preocupados, porque isto cria um precedente perigoso contra a propriedade privada”, apontou.

A Venezuela vive um impasse político desde janeiro, quando o líder da oposição, Guaidó, proclamou-se presidente em exercício, recebendo rapidamente o apoio de mais de 50 países, incluindo os EUA.

Guaidó invocou a constituição para assumir uma presidência interina rival, alegando que a reeleição de Maduro em 2018 foi fraudulenta.

Segundo Guaidó, as sanções são “penalidades para quem rouba e lucra com a miséria”.

O país, rico em petróleo e pobre em dinheiro, está em profunda recessão há cinco anos. A escassez de alimentos e medicamentos é frequente e os serviços públicos estão a falhar progressivamente.

Cerca de um quarto dos 30 milhões de habitantes da Venezuela precisa de ajuda, de acordo com as Nações Unidas, enquanto 3,3 milhões de pessoas deixaram o país desde o início de 2016.

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