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Chile: Brasileiro busca soluções em tempos de medo para a comunidade migrante

André Ramoa

André Ramoa é um laico comprometido, que passa boa parte do seu tempo na Paróquia Latino-americana, a tentar fazer os possíveis para o milagre da multiplicação de pães e peixes.

Santiago – É o coordenador sociocultural da Missão Scalabrini, organização que por décadas estendeu uma mão amiga para ajudar os migrantes no Chile, mesmo nos tempos de mudança da pandemia natalícia. É brasileiro, do Rio Grande do Sul, mas teve um amor à primeira vista com a capital deste país. Chama-se André Ramoa e hoje conta-nos a sua história para o e-Global.

e-Global: Como chegou ao Chile?

André Ramoa: Vim de férias nos carnavais de 2010. Na agência de viagens vi um flyer de “Brasileiros pela América” ​​e cheguei no dia 10 de fevereiro a Santiago.

O que te atraiu nesta cidade?

Encantou-me Santiago especialmente a ordem social que havia. Creio que esta é uma cidade desconhecida, mesmo para muita gente daqui. Continua a ser uma cidade agradável para se viver.

E não voltou ao Brasil?

Tive uma passagem de volta a 27 de fevereiro de 2010, dia do grande terramoto, então não pude sair antes da primeira semana de março, quando reabriram o aeroporto.

Ramoa conta que voltar ao Chile foi uma decisão drástica, já que deixou os estudos de enfermagem para trás. Ao chegar à capital chilena, inscreveu-se como voluntário na Missão Scalabrini, organização encarregada de celebrar os feriados nacionais das diferentes colónias de migrantes presentes no país.

“Estava fixo nas chamadas Festas Juninas, que são celebradas no mês de junho em homenagem a São João, São Pedro e Santo António. Então, nas tradicionais ‘feijoadas’ dos primeiros sábados de cada mês. Assim comprometi-me cada vez mais, ao ponto de ter sido incorporado como funcionário”, disse Ramoa, enquanto observa a marcha de uma operação de entrega de ajuda natalícia a migrantes.

Mas chegou a pandemia [da Covid-19] e mudou tudo?

A pandemia mudou todo o nosso planeamento. Com o cancelamento de todas as atividades culturais, tivemos que fazer frente aos chamados pedidos de ajuda e refúgio de um grupo de cidadãos bolivianos. Inicialmente, vinham por 2 dias, e tivemos que organizar refeições, operações médicas e até mesmo turnos de casas de banho, por duas semanas. Tudo isto em pleno inverno.

Está no portão onde muitos vêm pedir ajuda. Como é essa experiência?

É muito difícil ver um pai de família, que chega desesperado, sem emprego e sem esperança. Dentro dos nossos escassos recursos, tentamos sempre ser parte da solução em tempos difíceis e onde o medo impõe-se. Sempre que chego à minha casa, não deixo de perguntar-me: “Será que alguém ficou de fora?”.

Como é o grupo de trabalho da Paróquia Latino-Americana?

Aqui é uma pequena Babel, uma fração das Nações Unidas. Existem equatorianos, uruguaios, brasileiros, venezuelanos e peruanos. Todos trabalhamos com prazer, porque ajudando fazemos a família em paralelo. Pessoalmente, sinto muita alegria quando consigo as soluções.

Para concluir, André Ramoa assegura que graças à ajuda do Município de Providência, de muitas mãos amigas, a Missão pode oferecer um pouco de alegria natalíciaa para aqueles que chegam a pedir algum tipo de assistência.

“O sentido da Missão é que a possibilidade de ajudar seja mais forte do que o medo. Para que possamos ajudar aqueles que realmente precisam, desenvolvi um instinto para os aproveitadores, os que se fazem de mais pobrezinhos, e assim tentam inspirar mais piedade”, comenta Ramoa antes de voltar à inacabável tarefa de buscar soluções.

Veja o vídeo:

 

Fernando Peñalver

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