América Latina

Chile: Iliana convida-nos a sonhar no Dia Mundial da Língua Portuguesa

cantora Iliana Gonçalves
Iliana Gonçalves

Santiago – Sonhar sempre, sonhar a todo o custo, sonhar especialmente nos tempos mais difíceis. Para isso e muito mais convida-nos a cantora Iliana Gonçalves no Dia Internacional da Língua Portuguesa, por ocasião do seu concerto especial para destacar a data fixada pela UNESCO no dia 05 de maio, em homenagem a um idioma presente em todos os continentes. 

Para esse efeito, entre fados e bossa nova, Iliana difunde o português, língua que aprendem há muitos anos, no calor de um lar de migrante na Venezuela. Para mim, assim como para todos nós que amamos e vivemos a língua portuguesa, representa uma honra, um reconhecimento que sublinha o valor de uma língua que dá voz a 260 milhões de pessoas em oito nações do globo. Com as suas cores, contribuições de culturas locais e as suas adaptações peculiares, a língua portuguesa aproveita agora este dia para destacar-se ainda mais, disse a cantora, que estará acompanhada na guitarra por Daniel Luzardo, o baixista Ricardo Tirado e Julio César Alcocer na percussão 

Para Iliana, cantora solista e de coral no Coro Universitário da UCV, a possibilidade de cantar em português é um privilégio mágico. “A memória da infância, a travessura das falas da minha mãe, a coragem face às adversidades, a tristeza das perdas; as histórias de amor que venceram a proibição, os que não sabiam somar, os pátios decorados com alecrim e louro; os versos que relembram a vida dos escravos, os estragos das guerras e o sabor do abraço com ele no final do reencontro. As festas populares, os mesmos santos, com nomes diferentes. Cantar em português tem sido para mim poder ouvir e viver nos minutos que as canções duram todas essas histórias”. 

Ao perguntar à também especialista em Línguas Modernas sobre os seus gostos musicais, assegura: Tenho um gosto bastante eclético. Ouço música instrumental clássica, música coral e polifonias de vozes iguais. Claro, música tradicional venezuelana (Otilio Galíndez, Henry Martínez, Aquiles Báez, Ana Cecilia Loyo, Amaranta Pérez), Jazz, Tangos, Boleros, salsa brava, merengue, Ska, Reggae. Gosto muito de ouvir as versões originais, ir à fonte. É vital ir ao núcleo dos géneros para poder depois encontrar outra identidade, seja qual for o estilo. Em português, prefiro Maximiano de Sousa, cantor de origem madeirense que popularizou muitos temas do folclore da ilha; Ary Santos, Alain Oulmanque escreveu lindos poemas, imortalizados por Amália Rodrígues. A voz de Carlos do Carmo encanta-me. Que bom que existem tantos discos dos temas que interpretou! E na música portuguesa mais recente, vozes como a de Carminho, que tive a sorte de ver ao vivo aqui em Madrid, comovem-me com a sua força e sobriedade. Mariza, claro, Ana Moura, António Zambujo, Dulce Pontes. A lista é longa. 

O português é a tua língua materna ou adquiriste-o? Onde? 

Cresci entre os idiomas, mas os meus pais queriam que falássemos um espanhol perfeito e assim evitássemos problemas na escola, mas aprender português foi inevitável. Desde o prato do pequeno almoço até ao beijo de boa noite sabia a português. Adoro ler e desde muito pequena lia as cartas que chegavam dos meus avós, da imprensa e podia traduzir simultaneamente. Quando não compreendia alguma palavra, perguntava. Em adolescente comecei a cantar com mais regularidade e, assim, incorporei mais palavras. Hoje em dia estou a melhorar a minha escrita e gramática com livros. Gostaria de certificar-me e compreender aspectos mais formais do idioma”. 

Como licenciada em Línguas Modernas, em qual idioma te sentes melhor a cantar? Espanhol, alemão, português? 

Depende do género. Embora eu tenha feito algumas misturas de temas e ritmos venezuelanos, como um bolero de Simón Díaz chamado Qué vale más, assim como El Becerrito, com uma tradução alemã. Naturalmente, cantar em português toca-me uma fibra especial. Em 2017 tive a sorte de gravar um repertório em homenagem a Bertolt Brecht e Kurt Weil com música Jazz Cabaret em várias línguas: inglês, alemão, português, francês e espanhol. Acho que cada um tem um génio e disfruto muito a explorar a minha voz em cada idioma. 

Qual é a tua playlist imperdível em português? 

António Zambujo, Roberta Sá, Maria Betnia, Elis Regina, Caetano Veloso, Mayra de Andrade, Carlos Do Carmo, Andrea Imaginario, Mariza. Da música coral adoro ouvir o meu querido Coro Universitário da UCV, também as obras gravadas pela Cantarte, do meu admirado professor César Alejandro Carrillo, O coral de las Voces Obscuras da UCV com o professor César Liendo, bem como grupos corais orientais da Europa de Este. Gosto muito das Gymnopédias de Satie e das interpretações da Maria João Pires… E de Anthony Hopkins And the waltz must go onembora não seja em português. 

Para quem quiser ouvir o concerto, colocamos em anexo o convite oficial, bem como links das obras da encantadora Iliana Gonçalves, um talento que brilha em dois continentes: 

https://www.youtube.com/watch?v=JQKAlT_Rpxk
https://www.youtube.com/watch?v=5QSf3zZePjA
https://www.youtube.com/watch?v=8bT3_6LIOBM
https://www.youtube.com/watch?v=cdczbVgP7kQ
https://www.youtube.com/watch?v=bcieuO5sxsw 

Dia Internacional da Língua Portuguesa

Dia Internacional da Língua Portuguesa

Fernando Peñalver

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