América Latina

Detido em Cabo Verde o suposto testa de ferro de Nicolás Maduro

O empresário colombiano Alex Naím Saab Morán foi detido na noite de sexta-feira em Cabo Verde. De origem libanesa, identificado como principal operador financeiro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, Morán estava a ser investigado pelos tribunais colombiano e norte-americano por lavagem de dinheiro.

O empresário, de 48 anos, está sob sanções de Washington desde junho de 2019, por alegadamente ser testa de ferro do líder chavista.

De acordo com a imprensa Saab Morán viajava num avião particular com registo venezuelano, que teria deixado o aeroporto Maiquetía e foi detido numa paragem para reabastecimento de combustível em Cabo Verde a caminho do Irão. Saab é requerido pela justiça americana, mas a ilha africana não possui um acordo de extradição com Washington.

O governo de Nicolás Maduro condenou a detenção no sábado, chamando-a de “agressão e cerco contra o povo venezuelano“. Como afirma Caracas em comunicado, esta é uma ação tomada pelo governo Donald Trump que viola o direito internacional. As autoridades venezuelanas tomaram “todas as medidas apropriadas, por meio de canais diplomáticos e legais, para garantir os direitos humanos” de Saab e o seu direito à defesa e, solicitam formalmente sua libertação.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, Jorge Arreaza, denunciou em comunicado a “detenção arbitrária” de um cidadão venezuelano que estava a atuar como “agente do governo” com imunidade diplomática. “Dadas as restrições impostas ilegalmente pelos Estados Unidos, o Sr. Saab Morán, como agente do Governo Bolivariano da Venezuela, esteve em Cabo Verde, durante uma paragem técnica no seu trajeto com o objetivo de tomar medidas para garantir alimentos para os Comités Locais de Alimentação e Produção (CLAP), bem como remédios, suprimentos médicos e outros bens humanitários para o combate ao covid-19”.

Reforçando as declarações de Arreaza, também a Rússia, Turquia, Cuba e China se mobilizaram para garantir a liberdade de Morán e evitar a transferência do empresário para os Estados Unidos.

O líder da oposição Juan Guaidó, por sua vez, garantiu durante uma conferência de imprensa via Zoom que a prisão mostra que não há “intocáveis” e que “a justiça chega, mas leva tempo“.

Saab era procurado pela Interpol, acusado de crimes como conspiração, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito em nove países.

O cerco ao empresário tinha se intensificado no ano passado. Milhões de euros em ativos na Itália foram congelados após serem incluídos na chamada lista de Clinton. O sistema de justiça colombiano, que o procura desde o final de 2018, confiscou oito propriedades nesta semana em Barranquilla, sua cidade natal, avaliada em 8,8 milhões de euros. O alerta vermelho da Interpol foi ativado na mesma sexta-feira antes da prisão.

Se for considerado culpado, poderá ser condenado nos Estados Unidos a até 20 anos de prisão, embora não se saiba como poderia ser extraditado, já que Cabo Verde não possui acordos atuais sobre o assunto com Washington.

 

 

 

 

 

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