América Latina | Segurança

Novo presidente colombiano quer rever acordos com as Farc

Ivan Duque

O novo presidente colombiano Ivan Duque está decidido a efectuar “alguns ajustes” no Acordo de Paz com a guerrilha marxista das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) assinado em 2016.

Discípulo do antigo presidente Alvaro Uribe que se opusera às cedências de Bogotá à guerrilha, Ivan Duque insiste na indemnização das vítimas das Farc e evoca que a lista de fundos e bens apresentados pela guerrilha, a fim de constituir a base das indemnizações, é irrisória, tal como constataram também as autoridades colombianas.

O novo presidente quer também que os antigos guerrilheiros condenados pelo tribunal especial para a paz não possam ser reciclados em deputados. Mas também, apesar do seu mentor Alvaro Uribe ter pedido cinco anos de prisão para estes guerrilheiros, Ivan Duque reclama uma pena de um ano.

Mais complexa é a penalização pretendida por Duque dos guerrilheiros que estiveram envolvidos no narcotráfico, que foi a principal fonte de financiamento das Farc. Ivan Duque quer que os seus responsáveis sejam punidos com prisão, no entanto estes foram amnistiados pelo acordo de 2016 com a condição de optarem por uma carreira política e caso o crime não tivesse contribuído para um enriquecimento pessoal.

O presidente Ivan Duque quer rever o acordo que a maioria dos colombianos reprovaram em referendo, mas terá de enfrentar obstáculos legais particularmente do Tribunal Constitucional que validara o Acordo em 2016.

Desde a assinatura dos acordos a actividade da guerrilha na Colômbia decresceu significativamente, em contrapartida foi registado um aumento preocupante dos assassinatos de responsáveis locais sugerindo uma progressão de crime organizado. O lucrativo mercado da cocaína, deixado vago pelas Farc, tem fomentado a retoma do narcotráfico por outros grupos armados. Por fim, cerca de um milhar de guerrilheiros dissidentes das Farc que recusaram entregar são acusados de múltiplos crimes e prosseguir a via armada, a estes juntam-se os ex-guerrilheiros decepcionados com as políticas de integração na vida civil que ameaçam de pegar de novo nas armas.

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