Venezuela: Dezenas de milhares de pessoas atravessaram a fronteira com a Colômbia desde a sua reabertura

Mais de 70 mil pessoas entraram e saíram do território colombiano depois de o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, ter reaberto as fronteiras que estavam fechadas há quase quatro meses, informaram as autoridades colombianas.

O diretor-geral da Migration Colombia, Christian Kruger, declarou, num comunicado que mais de 34.000 cidadãos venezuelanos entraram no território colombiano e quase 40.000 regressaram ao seu país no sábado, o primeiro dia da reabertura da fronteira.

Após a decisão de Maduro de suspender a medida para fechar as pontes fronteiriças – ligando o departamento de Santander, no norte da Colômbia, e o estado de Táchira, no extremo oeste da Venezuela -, “altos fluxos de viajantes” começaram a registar-se novamente, indicou Kruger.

“Esta reabertura traz consigo uma diminuição no uso de trilhos pelas pessoas, um aspecto positivo, uma vez que deixa de comprometer a  sua integridade ao cruzar a fronteira, e a pagar para poder fazê-lo como estava a acontecer”, referiu o oficial.

Centenas de venezuelanos usavam diariamente estradas locais de pedra – conhecidas como “trochas” – para chegar à cidade colombiana de Cúcuta, a nordeste de Bogotá, algumas para trabalhar, outras para receber atendimento médico e a maioria para comprar alimentos e medicamentos, severamente escassos na Venezuela.

Recorde-se que Maduro fechou as fronteiras com Aruba, Bonaire, Curaçao, Brasil e Colômbia no final de fevereiro, quando a oposição política tentou introduzir toneladas de ajuda humanitária ao país.

A entrega da ajuda humanitária internacional tornou-se uma frente de luta pelo poder na Venezuela. Os Estados Unidos enviaram centenas de toneladas de alimentos e produtos de higiene pessoal para regiões da Colômbia, Brasil e do Caribe holandês na fronteira com a Venezuela para apoiar o líder da oposição Juan Guaidó, que foi reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países.

Maduro, que negou que a Venezuela atravesse uma crise humanitária, afirmou repetidas vezes que o plano para forçar a entrada da ajuda era um pretexto para justificar uma intervenção militar subsequente dos EUA.

Apesar da medida de reabertura, o tráfego de veículos continua bloqueado e permanecem sobre as pontes binacionais grandes contentores colocados no local por militares venezuelanos para impedir a passagem.

“A vontade de abertura deve ser acompanhada por ações reais”, sublinhou Kruger no comunicado. Os fluxos que foram registados no sábado, “acreditamos que serão mantidos nos próximos dias, manter os contentores nas pontes é colocar em risco a integridade e a vida das pessoas que passam por lá”, acrescentou.

O bloqueio das pontes binacionais e as restrições de passagem de pessoas também geraram uma série de irregularidades, incluindo confrontos entre criminosos que tentam controlar as passagens de fronteira improvisadas e que exigem pagamentos para permitir a passagem de pessoas e mercadorias pelas estradas abertas no mato.

A Venezuela está mergulhada na pior crise económica da sua história depois de duas décadas de governos socialistas, marcados pela hiperinflação, pela escassez de produtos básicos, como alimentos e medicamentos, e por uma profunda recessão que obrigou muitos venezuelanos a emigrar.

Segundo dados da Agência de Refugiados da ONU (UNHCR), quatro milhões de venezuelanos, quase 15% da população, deixaram o país desde 2015.

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