Venezuela: Oposição insta Maduro a revogar o seu plano económico

A oposição venezuelana apelou ao presidente Nicolas Maduro para revogar o seu “plano de recuperação” controverso, que acusa de aprofundar a crise e dissolver o poder de compra dos cidadãos, enquanto reclama por “medidas responsáveis” em matéria económica.

O anti-chavismo, que controla a assembleia, aprovou um documento que exige “a suspensão imediata” do plano económico que Maduro lançado há pouco mais de três meses, numa tentativa de retirar a nação da grave crise.

O documento apresentado pela Câmara observa que o Governo não tomou as “medidas estruturais para controlar a espiral inflacionária” e em vez disso tem alimentado “a impressão de dinheiro para financiar os gastos do governo que gera, como consequência, uma queda na procura de dinheiro com relação à sua oferta”.

O documento também indica que, “o rápido aumento da despesa pública” gera um aumento “acelerado dos preços” e que, como resultado da espiral hiperinflacionária, o salário mínimo aumentado na semana passada em 150% já perdeu “mais de 70% do poder de compra que tinha em agosto “quando o plano entrou em vigor.

Nesse sentido, a Câmara indicou que os efeitos são “catastróficos” para os venezuelanos e exigiu a adoção de medidas “responsáveis”.

No texto, os adversários Chávez também rejeitam “os efeitos negativos” que as medidas têm sobre os venezuelanos.

O deputado José Guerra disse durante o debate, que desde que foi lançado o plano, que prevê aumentos salariais, congelamento de preços, reforma tributária e reforma monetária, o custo de vida subiu e só no passado setembro a inflação atingiu os 233 pontos.

“Com uma taxa de inflação dessa magnitude, ficou evidente que o salário iria se dissolver, conforme aconteceu”, disse. Guerra também destacou a “contradição”, que significa “o aumento dos salários nominais”, que Maduro decretou duas vezes nos últimos três meses, o que levou a uma diminuição do poder de compra dos venezuelanos, que, diz Guerra, está “destruído”.

Segundo o deputado, “A Venezuela tem um estado fiscalmente insolvente”.

A este respeito, disse que a “posição” do seu partido, Primero Justicia,  “é a criação de empresas” para que o trabalho seja “livre” e os venezuelanos possam “comprar o que quiserem, quando e quanto queiram”.

Assim, explicou que o modelo proposto para tirar o país da crise é “um plano de estabilização macroeconómica para parar a hiperinflação (…) e parar a hiperinflação significa parar a desvalorização” da moeda venezuelana, o bolívar.

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