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Venezuela: Organizações latino-americanas rejeitam relatório de Bachelet

Defensores dos direitos humanos, líderes sociais e políticos da América Latina expressaram o seu desacordo com o recente relatório sobre a Venezuela apresentado pela Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

Num comunicado assinado por dezenas de personalidades, organizações e partidos políticos latino-americanos, entre outros, observa que as informações apresentadas no relatório Bachelet são pouco objetivas e não consegue analisar criticamente as causas subjacentes à actual situação económica e social Venezuelana.

As personalidades que subscrevem a declaração defendem que o relatório não analisa em profundidade o impacto que o conjunto de sanções impostas, principalmente dos Estados Unidos, teve em detrimento das condições de bem-estar dos cidadãos venezuelanos.

Segundo o relatório, essas sanções, tanto económicas quanto comerciais, são em grande parte responsáveis pela crise em setores como alimentos e recursos médicos, fatores que afetam negativamente a sociedade venezuelana.

Da mesma forma, o documento indica de maneira superficial o efeito da crise provocada no petróleo venezuelano pelos Estados Unidos.

O texto também menciona a retenção ilegal de dinheiro venezuelano tanto nos Estados Unidos, como na Europa, estimando que existam 7.000 milhões de dólares em ativos venezuelanos nos Estados Unidos e que este país pretende bloquear cerca de 11.000 milhões mais em receita estimada de vendas de petróleo.

Nesta situação, a declaração indica que essas medidas abusivas destinam-se a afetar seriamente a situação económica da Venezuela, a fim de minar sua estabilidade social. No entanto, o relatório não menciona esses fatos, nem calcula a sua influência na situação atual.

De acordo com os signatários, o documento da comissária Bachelet omite a menção dos vários atos violentos fomentados pela oposição, a fim de criar um ambiente instável na Venezuela, lembrando atos como o linchamento brutal do jovem Orlando Figuera, que foi queimado vivo em Chacao em 20 de Maio de 2017, ou tentativas contra a vida do presidente da Venezuela, Nicolas Maduro.

Também é mencionado que o relatório evita abordar o escândalo vergonhoso de desvio de fundos dirigidos a partir do coração da oposição, em que pessoas próximas de Juan Guaidó conspiraram para apropriar-se do dinheiro do Estado venezuelano, libertado pelos Estados Unidos para financiar sua campanha contra o presidente Maduro.

O documento ressalta que as omissões, assim como o foco superficial do relatório, contradizem a sua legitimidade, uma vez que não apresentam um panorama completo e crítico da situação enfrentada pela nação venezuelana.

Por outro lado, é recomendado que a Alta Comissária para os Direitos Humanos expresse sua opinião com determinação similar sobre centros de detenção de imigrantes nos Estados Unidos, indica a declaração, lembrando também os números alarmantes de mortes em circunstâncias não-transparentes nas Honduras, ou a grave crise humanitária no Iémen, talvez a mais sério do mundo, ou a complexa situação no processo de paz colombiano.

O comunicado aconselha Bachelet a abordar a situação dos Mapuches no seu país natal, os cidadãos que foram perseguidos, deslocados e mortos impunemente, que questione o governo do Brasil sobre a situação da detenção do ex Presidente Lula da Silva, ou a Argentina sobre o processo contra a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner.

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