Venezuela sofre perdas milionárias após o pior apagão da história do país

Embora a eletricidade tenha sido restaurada na maior parte do país, incluindo Caracas, alguns estados no oeste do país ainda tinham grandes áreas sem energia, seis dias após o apagão.

Nesse contexto, a China, aliada do governo de Nicolás Maduro, ofereceu a sua ajuda para restaurar a eletricidade. “A China espera que a Venezuela possa encontrar rapidamente as causas deste acidente e restaurar a eletricidade e a ordem social”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lu Kang, quando Maduro anunciou que pediria também ajuda à Rússia e ao Irão para investigar o que denuncia como sendo um “ataque” ao sistema elétrico dirigido pelos Estados Unidos.

Segundo a Ecoanalitica, as perdas devido ao apagão somaram “875 milhões de dólares”. A indústria está paralisada e “para recuperar o país precisaremos do apoio das multilaterais e do setor petrolífero”, afirmou o diretor da consultadoria privada Asdrúbal Oliveros.

“Há uma paralisação importante em muitas áreas críticas do setor petrolífero, ponto em que poderíamos perder 700 mil barris por dia”, disse Ecoanalítica.

O apagão que afetou Caracas e 22 dos 23 estados neste país de 30 milhões de pessoas, começou quinta-feira e só na terça-feira  Maduro disse que a luz tinha sido restaurada em “quase todo” o território.

Maduro acusa Washington de perpetrar “ataques cibernéticos” e “eletromagnéticos” contra a hidroeléctrica Guri, no sul do estado de Bolívar, que abastece 80% da população do país.

O líder da oposição Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por cerca de 50 países, argumenta que o colapso se deveu a “negligência” e “corrupção” que atingiu 1.500 milhões de dólares até 2016.

Num país que já sofre há anos com falta de alimentos, as perdas causadas pelo apagão chegaram aos 5,5 milhões de dólares para os produtores de carne e produtos lácteos, de acordo com a Federação Nacional privada de Pecuaristas (Fedenaga).

O maior problema agora é a água. Longas filas foram formadas em torno de camiões-tanque organizados pelo governo e pela oposição para distribuição, mesmo em Caracas, onde o bombeamento ainda não se tinha estabilizado e havia racionamento.

A ministra da Água, Evelyen Vásquez, assegurou que é “complexo” estabelecer quanto tempo levará até que a distribuição de água esteja normalizada. “Começamos o bombeamento e estamos a progredir progressivamente, estamos diante de uma situação de ataque”, afirmou.

Os hospitais experimentaram situações dramáticas. Segundo Guaidó, dezenas de pessoas morreram, enquanto a ONG Codevida relata que 15 pacientes renais morreram por falta de diálise. O governo nega que existam mortos.

Guaidó decretou o estado de “alarme nacional” por 30 dias, para pedir ajuda internacional para superar a crise. Um dos seus maiores apoios na Europa, a Espanha, ofereceu ajuda para recuperar um sistema elétrico “muito deteriorado”. “Maduro é responsável pela tragédia”, disse a oposição.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.




Artigos relacionados

Ucrânia diz que não entra na NATO se garantirem segurança do país

Ucrânia diz que não entra na NATO se garantirem segurança do país

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, garantiu nesta quinta-feira, 10 de março, que o país está disposto…
Portugal respeita posição de Angola sobre guerra na Ucrânia

Portugal respeita posição de Angola sobre guerra na Ucrânia

O novo Embaixador português em Angola, Francisco Duarte, entregou nesta quarta-feira, 09 de março, cartas credenciais no Palácio Presidencial em…
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE: Aumento do Salário mínimo

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE: Aumento do Salário mínimo

O São-tomense e sindicados chegam ao consenso sobre o salário mínimo na função pública que sobe já a partir de…
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE: Vila Nova arranca a semana da economia

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE: Vila Nova arranca a semana da economia

São Tomé-10-Mar-2022- Iniciou na passada segunda-feira a semana nacional de Economia Azul, e foi presidido pelo Presidente da República Carlos…
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin