América Latina

Venezuela: Taxa de suicídio bateu recorde em 2019

A taxa de suicídio bateu um recorde na Venezuela em 2019, aumentando os últimos três anos e colocando os números em 9 e 10 por 100.000 habitantes.

Antes de Chavismo, o suicídio representava entre 4 e 5 pessoas por 100.000 habitantes na Venezuela. Apesar do boom do petróleo, aumentou entre 8 e 9 suicídios, mas a partir de 2015 os suicídios dispararam. A taxa quadruplicou nos últimos 15 anos, tornando-se um fenómeno social.

Segundo estudos e pesquisas, o que foi considerado a maior crise social da história da América do Sul consolidou-se na Venezuela.

Roberto Briceño León, diretor do Observatório Venezuelano de Violência, relatou que “nunca houve uma taxa de suicídio como a de hoje”.

“Na Venezuela, a taxa de suicídios aumentou entre 2015 e início de 2019 (…) O aumento está entre 140 e 180%, devido à incerteza e desesperança em que a população venezuelana está atolada”, afirmou o sociólogo.

O novo número significa um aumento significativo em comparação com a taxa de 2012 na Venezuela, quando era de 4 por 100 mil habitantes.

A Venezuela, nação que, segundo os estudos, já foi considerada o “país mais feliz do mundo”, tornou-se o país da morte, tristeza, emigração e suicídio, refere o PanAm Post.

Fermín Mármol García, advogado criminal, disse ao jornal que a Venezuela não é um país caracterizado pela ocorrência de suicídios, no entanto, a situação do país é um fator influente na tomada dessa decisão drástica.

Marmol explicou que algumas das principais causas de suicídio entre os venezuelanos incluem o desmembramento de famílias com o aumento da diáspora, perda de sonhos e qualidade de vida, escassez de alimentos e medicamentos; e até injustiça e impunidade.

“A diáspora, por exemplo, aquela cultura de emigrar, de desagregar a família, de isolar nossos laços sentimentais, não fazia parte da cultura venezuelana e causou altas pressões psicoemocionais. Além disso, agora estamos a seguir um caminho de hiperinflação, que também é um fator determinante na pressão psicoemocional ”, afirmou.

Para o especialista, outro fator influente é a perda de sonhos e ilusões ao quebrar a qualidade de vida. Segundo Marmol, o venezuelano, perdendo a qualidade de vida, perdendo a estrutura sentimental da família, também perde parte da magia do sonho e, quando o perde, passa a ter um comportamento conformista que se afasta do progresso e que também influencia a parte emocional.

Também em declarações ao PanAm Post, Luis Francisco Cabezas, diretor geral da ONG Convite, referiu que as depressões não se devem apenas a situações dramáticas, mas também a um problema bioquímico que deve ser tratado com medicamentos e que, como não existem antidepressivos no país, a situação dos pacientes complica-se.

O especialista alertou que a população com transtornos mentais é a que mais provavelmente toma a decisão de tirar a própria vida e, ainda assim, dos 12 medicamentos comumente prescritos para tratar essa condição, apenas três estão disponíveis no país sul-americano.

«Começam a baixar as doses e a esticar a caixa de comprimidos, e os medicamentos não funcionam assim. Ao diminuir a dose, é uma das razões pelas quais as pessoas começam a pensar em ideias suicidas”, explicou.

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