Afeganistão: Governo voltará a adotar castigos como amputações

O ministro das prisões no novo Governo talibã no Afeganistão, Nooruddin Turabi, informou que irão regressar ao país castigos como amputações de mãos e execuções. Segundo o governante, trata-se de um acto “necessário para segurança”

Estas punições surgem apesar da tentativa do regime de mostrar uma nova face. Ao contrário do que acontecia no passado, Turabi disse que os castigos poderão não acontecer em público. 

Considerado um dos fundadores do movimento talibã e sendo um dos mais estritos defensores da interpretação fundamentalista da lei islâmica, Turabi desvalorizou a indignação da comunidade internacional no que diz respeito às execuções públicas que os talibãs fizeram no passado. Estas eram assistidas, por vezes, por multidões. 

“Toda a gente criticou-nos pelos castigos nos estádios, mas nós nunca dissemos nada quanto às suas leis e castigos. Ninguém vai dizer-nos que leis devemos seguir. Nós seguimos o Islão e vamos criar as nossas leis a partir do Corão”, sublinhou. 

Quanto às amputações de membros, afirmou que as mesmas eram necessárias para servirem como dissuasoras para a prática de crimes. Recorde-se que o anterior regime, no poder entre 1996 e 2001, tornou-se infame pela violência pública com que decorriam as execuções. 

ONU pede “um Afeganistão estável” 

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) “querem um Afeganistão pacífico e estável, onde a ajuda humanitária possa ser entregue sem problemas e sem discriminação”

A declaração foi feita pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que disse que a organização internacional defende “um Afeganistão onde os direitos das mulheres e raparigas sejam respeitados”

Os cinco membros querem “um Afeganistão onde os direitos das mulheres e raparigas sejam respeitados, um Afeganistão que não seja um santuário do terrorismo, um Afeganistão onde tenhamos um Governo inclusivo representando os diferentes setores da população”, acrescentou. 

As afirmações foram feitas aos jornalistas na quarta-feira, 22 de setembro, depois de uma reunião com ministros desses países. Nenhum dos ministros dos Negócios Estrangeiros presentes quis prestar declarações à imprensa.

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