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Filipinas irá rever a sua aliança militar com os Estados Unidos a favor da China

Em 2012, a China assumiu o controlo do atol de Scarborough, que, com uma área de 150 km2 (incluindo lagoa) e localizado no centro de Mar da China Meridional, pertencia às Filipinas.

Manila protestou perante o Tribunal Permanente de Arbitragem (TPA), em Haia, que disse em julho que as reivindicações territoriais chinesas “não têm base jurídica” e que Pequim “violou os direitos soberanos Filipinas”.

Além disso, antes deste julgamento do TPA, Manila tinha reforçado os seus laços militares com Washington, inclusivamente através da revisão dos termos de um tratado de defesa concluído em 1951. Desde então os EUA e a marinha das Filipinas empreenderam patrulhas conjuntas no mar do Sul da China.

Note-se que a assistência militar dos EUA também incluiu uma componente antiterrorismo, e comandos americanos foram colocados juntamente com os seus homólogos filipinos na luta contra o jihadista, Abu Sayyaf, agora ligado ao Estado Islâmico (EI) depois de romper com a al-Qaeda.

Apenas a eleição na primavera passada, do presidente Rodrigo Duterte, mudou este acordo. Conhecido pelos seus excessos, insultos e soluções simplistas, que não hesita em comparar-se com Hitler na sua luta contra os traficantes (e consumidores) de drogas, começou por dar uma volta de 180 graus nas relações diplomáticas.

Em setembro, Duterte pediu aos conselheiros militares norte-americanos, destacados para a luta contra Abu Sayyaf, que partissem de Mindanao. De seguida, colocou um fim às patrulhas conjuntas no mar com a Marinha dos EUA. Finalmente, advertiu que os exercícios navais conjuntos entre os EUA e as Filipinas seriam o primeiro e o último.

Questionado sobre se planeava exercícios militares com a China e a Rússia,  Duterte foi claro: “Sim, planeio”, acrescentando, “Dei tempo suficiente aos americanos para brincarem com os soldados filipinos”, acrescentando que as recentes manobras com a Marinha dos EUA “será a última”. “Está programado. Eu não quero que os meus soldados sejam humilhados”, insistiu.

Até ao momento, os Estados Unidos são os principais fornecedores das forças armadas das Filipinas. Mas Duterte já avisou que vai procurar adquirir equipamento militar – “não em (grande) quantidade” – da China, onde é aguardado para discutir acordos de milhares de milhões de dólares.

Fica a dúvida sobre o destino o atol de Scaroborough e Second Thomas Shoal, onde, pela primeira vez os marinheiros filipinos foram humilhados pelos seus homólogos chineses em 2014.

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