Ásia

Tibete: Grupo budista que contesta o Dalai Lama auto-dissolve-se

O grupo budista que lidera uma campanha global contra o Dalai Lama cancelou as suas atividades e auto-dissolveu-se, de acordo com uma declaração na sua página oficial na internet.

Este anúncio surge na sequência de uma investigação da Reuters que revelou, em dezembro passado, que o Partido Comunista chinês apoiava esta seita religiosa budista que vinha confrontando o Dalai Lama em praticamente todas as suas deslocações, configurando-se como um instrumento da campanha chinesa para desacreditar o líder espiritual tibetano.

Os diretores da Comunidade Internacional Shugden (ISC) decidiram “parar completamente a organização de manifestações contra o Dalai Lama”, refere a declaração na página do grupo Budista.  A partir de 10 de março, o ISC e os seus sites dissolver-se-ão, acrescenta o documento sem adiantar explicações.

A mensagem, sem data, foi publicada em nome de Len Foley, um porta-voz do ISC. O contacto telefónico de Foley, indicado na mais recente propaganda do grupo, está desativado. Nicholas Pitts, o porta-voz do ISC sediado em Hong Kong, também não prestou declarações.

O Dalai Lama disse, em declarações à Reuters, que embora não conhecesse os motivos, tinha conhecimento da decisão do desmantelamento do ISC.

Mais de cinco décadas depois de o Dalai Lama se ter exilado na Índia, após uma revolta falhada contra a lei chinesa, o líder espiritual ainda exerce uma considerável autoridade religiosa sobre muitos dos seis milhões de tibetanos étnicos que vivem dentro das fronteiras da China. Este facto enfurece Beijing, que sistematicamente denuncia-o como separatista e acusa de tentar separar o Tibete da China.

O ISC está registado na Califórina, EUA, como uma organização de beneficência. Desde 2014 assume a responsabilidade de organizar protestos contra o Dalai Lama mas nega qualquer ligação com Beijing ou com o Partido Comunista Chinês.

Os seus membros prestam culto a Dorje Shugden, uma divindade do budismo tibetano. O Dalai Lama desaconselha esta devoção, avisando os seguidores que esta divindade é um espírito prejudicial.

A maior parte destes membros foram recrutados no Ocidente e juntaram-se a uma grupo étnico tibetano mais pequeno, em que os devotos cantam slogans e tocam tambores, muitas vezes interrompendo os discursos e ensinamentos do Dalai Lama, acusando-o de falsidade e intolerância.

Na última sexta-feira, centenas de fiéis juntaram-se com tambores e bandeiras tibetanas em frente ao edifício das Nações Unidas em Genebra para ouvir o seu líder espiritual, desta vez já sem sinais de protestos.

 

 

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