Indonésia: Autoridades investigam morte de 31 operários por alegados rebeldes separatistas em Papua

As autoridades indonésias estão a investigar relatos de que 31 operários da construção civil foram mortos a tiros por rebeldes separatistas na província de Papua, anunciou o ministro das Obras Públicas nesta terça-feira, enquanto suspendia a construção na área.

Se os assassinatos forem confirmados, marcarão o mais mortífero ataque em anos a atingir a região, que há muito tempo está no centro de uma insurgência que luta pela independência.

“Estamos chocados e entristecidos ao ouvir os relatos da imprensa esta manhã”, disse o ministro de Obras Públicas, Budi Hadimuljono, a repórteres em Jacarta. “Todo o trabalho será suspenso (na área) devido a este incidente”, acrescentou.

Os funcionários do empreiteiro estatal Istaka Karya estavam a construir pontes e estradas como parte dos esforços para impulsionar a infraestrutura na região empobrecida, disse o governante. Citando um policia local, a imprensa indonésia informou na noite de segunda-feira que os trabalhadores foram mortos a tiros no domingo em Nduga, um distrito no centro da longínqua região da metade ocidental da ilha de Nova Guiné, ao norte da Austrália.

Os supostos assassinatos foram alegadamente realizados por rebeldes que lideram uma insurgência de décadas contra o governo de Jacarta. A Indonésia rotineiramente culpa os separatistas pela violência em Papua.

Alguns trabalhadores supostamente conseguiram escapar dos tiroteios, que terão sido provocados por separatistas revoltados com alguns trabalhadores que estavam a fotografar de uma atividade pró-independência da Papua.

Os supostos assassinatos acontecem quando mais de 500 ativistas – incluindo um australiano – foram presos numa operação policial em escala nacional que coincidiu com as manifestações de 1º de dezembro, data que muitos papuas consideram o aniversário da sua independência dos holandeses.

Papua declarou-se uma nação independente naquela data, em 1961, mas a vizinha Indonésia assumiu o controlo da região à força em 1963.

A Indonésia anexou oficialmente a Papua em 1969 com um voto apoiado pela ONU, amplamente visto como uma farsa. Jacarta mantém um forte controlo sobre a região rica em recursos, que tem sido palco de uma insurgência que luta pela independência desde o final dos anos sessenta.

A Papua experimentou vários surtos de violência neste verão, incluindo a morte de três pessoas locais, supostamente por rebeldes.

As mortes ocorreram após um tiroteio na altura em que um pequeno avião aterrava em Nduga, transportando 15 polícias enviados para supervisionar as eleições locais.

Parte da violência tem sido centrada em protestos contra uma grande mina de ouro e cobre controlada pela empresa norte-americana Freeport McMoRan – um ponto importante na luta local pela independência e uma grande parte dos ricos recursos da região.

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