Ásia

Indonésia: Centenas de suspeitas de mortes infantis por Covid-19

Estima-se que centenas de crianças na Indonésia tenham morrido devido ao COVID-19, dando ao país do Sudeste Asiático uma das maiores taxas de mortes infantis do mundo devido ao novo coronavírus.

Pediatras e autoridades de saúde do quarto país mais populoso do mundo disseram que o alto número de mortes de crianças por uma doença que mata principalmente idosos deve-se a fatores subjacentes, como desnutrição, anemia e instalações inadequadas de saúde infantil.

O COVID-19 prova que temos de lutar contra a desnutrição“, declarou à Reuters Achmad Yurianto, alto funcionário do Ministério da Saúde, acrescentando que as crianças indonésias foram apanhadas num “círculo diabólico“, um ciclo de desnutrição e anemia que aumentou a sua vulnerabilidade ao coronavírus.

O responsável comparou as crianças desnutridas a estruturas fracas que “desmoronam após um terremoto“.

Desde que a Indonésia anunciou o seu primeiro caso de coronavírus em março, registou 2.000 mortes, a taxa mais alta no leste da Ásia fora da China.

Um total de 715 pessoas menores de 18 anos contraíram o coronavírus, enquanto 28 morreram, de acordo com um documento do Ministério da Saúde datado de 22 de maio. O país também registou mais de 380 mortes entre 7.152 crianças classificadas como “pacientes sob monitorização”, ou seja, pessoas com sintomas graves de coronavírus para os quais não há outra explicação, mas cujos testes não confirmaram a infeção.

Mesmo o número oficial de crianças que morreram de coronavírus, 28 em 22 de maio, daria à Indonésia uma alta taxa de mortes infantis, com 2,1% do total.

A Indonésia, um país em desenvolvimento de 270 milhões, sofre de uma “tripla carga de desnutrição“, que inclui nanismo e anemia entre as mães, e obesidade, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância.

Quase uma em cada três crianças indonésias com menos de cinco anos é atrofiada, diz o documento.

O estado nutricional afeta a imunidade das crianças“, aponta Nastiti Kaswandani, pneumologista pediátrico da capital, Jacarta. “Isso é importante para atenuar infeções por COVID“.

Os pediatras referem que o sistema de saúde mal equipado também é um problema. “A maior discrepância na Indonésia é a disponibilidade de unidades de cuidados intensivos pediátricos“, disse Shela Putri Sundawa, médica pediátrica em Jacarta.

O ministério da saúde recusou-se a disponibilizar dados sobre as unidades de atendimento infantil e uma autoridade disse que o sistema não estava sobrecarregado, segundo a Reuters.

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