Ásia

Indonésia condena à prisão por traição ativistas anti-racismo da Papua

Um tribunal indonésio considerou três papuanos culpados de traição na quarta-feira (17 de junho) num julgamento de alto nível, observado como sendo um indicador da liberdade política na terceira maior democracia do mundo.

O tribunal distrital de Balikpapan condenou o ativista papuano Buchtar Tabuni, uma figura importante do Movimento de Libertação Unido pela Papua Ocidental (ULMWP), a 11 meses de prisão, em vez dos 17 anos pedidos pelos procuradores.

Dois estudantes universitários, Fery Kombo e Irwanus Uropmabin, foram condenados a 10 meses cada. Os juízes disseram que Uropmabin foi considerado culpado de traição por fazer panfletos pró-referendo durante as manifestações anti-racismo que invadiram a Papua no ano passado.

Os três papuanos fazem parte do grupo “Balikpapan Seven” de ativistas da Papua Ocidental e dos estudantes universitários presos pela polícia em agosto passado por envolvimento em protestos anti-racistas que eclodiram nas províncias mais a leste da Indonésia em agosto passado.

As manifestações foram desencadeadas devido a ataques racistas contra vários estudantes de Papua em Java, onde foram chamados de “macacos”.

O veredicto para os outros quatro réus, para quem os procuradores pediram 5 e 15 anos de prisão, é esperado mais tarde.

A Human Rights Watch declarou que as sentenças proferidas são significativamente mais baixas do que o que os procuradores tinham reivindicado, mas que os papuanos não deveriam ficar “nem uma única noite atrás das grades”.

“Eles estavam a protestar contra o racismo, mas são condenados por traição”, disse à Reuters Andreas Harsono, investigador da Human Rights Watch na Indonésia.

“O crime aqui não são as ações dos papuanos, mas a disposição de Jacarta de processar dissidentes pacíficos e manchar a reputação internacional da Indonésia”, defendeu Harsono.

As províncias remotas e ricas em recursos de Papua e Papua Ocidental ficaram sob o domínio indonésio através de um referendo controverso realizado em 1969 e sancionado pelas Nações Unidas.

Desde então, formou-se um grupo que apela à pela independência e o tópico permanece profundamente sensível ao governo da Indonésia.

A bandeira Morning Star, símbolo da independência da Papua, está proibida na Indonésia. A figura da independência, Filep Karma, foi condenado por traição depois de levantar a bandeira publicamente e passou 11 anos na prisão antes de ser libertado em 2015.

O julgamento de Balikpapan gerou uma vaga incomum de apoio na Indonésia, onde coincidiu com o movimento Black Lives Matter nos Estados Unidos, inspirando uma adaptação local – Papuan Lives Matter – que os indonésios usaram nas redes sociais e nas manifestações de rua pedindo a libertação dos papuanos.

O movimento global também desencadeou fóruns online sobre o racismo e discriminação na Indonésia, eventos que os ativistas dizem estar sujeitos a obstruções e intimidações.

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