Ásia

Indonésia e Malásia encerram milhares de escolas devido ao agravamento da qualidade do ar

O encerramento das escolas devido ao agravamento da qualidade do ar provocado pela névoa tóxica com origem nos incêndios florestais, na Indonésia e na Malásia afeta pelo menos 1,7 milhão de estudantes, segundo avançaram as autoridades.

Quase 2.500 escolas receberam ordens para suspender as aulas na Malásia – incluindo cerca de 300 na capital Kuala Lumpur, atingida pela poluição atmosférica – devido a crescentes preocupações com a saúde provocadas pela névoa tóxica dos incêndios fora de controlo nas ilhas indonésias de Sumatra e Bornéu.

Na cidade malaia de Kuching, na ilha de Bornéu, o índice de poluição do ar registou níveis de 267 a partir das 06:00 GMT, obtendo uma classificação “Muito Insalubre” e colocando-a entre as áreas mais poluídas do mundo, segundo o Índice Mundial de Qualidade do Ar. O Ministério do Meio Ambiente da Malásia também o classifica como “muito prejudicial”.

Na Indonésia, centenas de escolas na província de Riau, na ilha de Sumatra, também foram fechadas na quinta-feira – com 800 já fechadas em apenas um distrito – enquanto cerca de 1.300 foram encerradas na província de Kalimantan Central, em Bornéu.

Jacarta está a utilizar milhares de membros das forças de segurança e aviões de combate aos fogos que tiveram origem principalmente em queimadas ilegais destinadas a limpar terras para plantações.

Os incêndios enviam fumo para todo o sudeste da Ásia anualmente, mas este ano foi o pior desde 2015 e aumentou as preocupações com os surtos de incêndios em todo o mundo, exacerbando o aquecimento global.

O encerramento das escolas de quinta-feira foi o primeiro em massa em Kuala Lumpur, com a qualidade do ar a deteriorar-se para níveis “não saudáveis” ou “muito prejudiciais” num índice oficial em muitas partes da Malásia peninsular, até ao leste de Sumatra, com o horizonte da capital envolto em densa poluição atmosférica.

O estado de Sarawak, na Malásia, em Bornéu, também foi sufocado pela neblina tóxica, enquanto os incêndios aumentaram as tensões diplomáticas. Bornéu é dividido entre Indonésia, Malásia e Brunei.

Também em Singapura a qualidade do ar estava na faixa “insalubre” na manhã de quinta-feira, de acordo com a Agência Nacional do Meio Ambiente, no que o ministro do meio ambiente da cidade considerou um “grande revés” na luta contra as mudanças climáticas.

“Os incêndios florestais na Indonésia e a neblina resultante afetaram a saúde e o bem-estar das pessoas na Indonésia e na região da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático)”, disse o responsável do meio ambiente de Singapura, Masagos Zulkifli, nas redes sociais.

“É lamentável que tantas vidas e meios de subsistência tenham sido afetados. A quantidade de emissões de carbono geradas pelos incêndios representará um grande revés para a luta global contra as mudanças climáticas”, acrescentou.

A crise de neblina acontece quando Singapura se prepara para sediar uma corrida de carros de Fórmula 1 no domingo.

A baixa visibilidade obrigou ao encerramento de vários aeroportos na parte indonésia de Bornéu e dezenas de voos já foram desviados e cancelados na região devido à poluição atmosférica.

As autoridades tentaram induzir a chuva semeando nuvens, numa tentativa de extinguir os incêndios. No entanto, o início da estação das chuvas, que geralmente começa em outubro, parece ser a única coisa capaz de apagar as chamas.

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