Ásia

Indonésia manifesta indignação devido a Papua Ocidental ter sido incluída no Fórum das Ilhas do Pacífico

As violações dos direitos humanos e a independência política na Papua Ocidental estão prestes a dominar o debate no Fórum das Ilhas do Pacífico (PIF) desta semana, onde o líder da independência da Papua, Benny Wenda, pedirá aos líderes dos governos que apoiem a campanha “Papua Livre” que atravessa uma onda de crescente violência política.

Exilado de Papua, mas agora um representante oficial ligado à delegação do governo de Vanuatu, Wenda está a fazer campanha para uma assembleia geral das Nações Unidas no ano que vem reexaminar o controverso Ato de Livre Escolha de 1969 que formalizou o controlo indonésio da província.

Wenda declarou ao Guardian que os abusos dos direitos humanos e as repressões civis que atualmente prejudicam a província são um “cancro dentro do coração do povo do Pacífico”, mas que as grandes potências da região preferem ignorá-la por razões geoestratégicas e económicas.

A Indonésia – que não é membro do Fórum das Ilhas do Pacífico, mas sim “parceira de diálogo” que participa do fórum desta semana – considera a Papua Ocidental como parte integrante e indivisível do estado indonésio.

A Papua, controlada pela Indonésia, e a Papua Ocidental, formam a metade ocidental da ilha da Nova Guiné. O controlo político da região tem sido contestado há mais de meio século e a Indonésia tem sido consistentemente acusada de violações dos direitos humanos e repressão violenta do movimento de independência da região.

Fontes da Papuásia Ocidental dizem que a violência na região está a piorar, que manifestantes foram espancados e presos, e houve alegações de que fósforo branco, uma arma química proibida, tem sido usado para atacar civis. Esta alegação foi vigorosamente negada pela Indonésia.

Um porta-voz do governo indonésio disse que Jacarta “não está nada satisfeita” por a Papua Ocidental ter sido incluída na agenda formal da reunião dos líderes do fórum em Tuvalu e advertiu que a medida estabeleceria um precedente para interferência nos assuntos domésticos de outros países.

“Os acontecimentos na Papua e na Papua Ocidental são puramente assuntos internos da Indonésia. Nenhum outro país, organização ou indivíduo tem o direito de interferir neles. Nós opomo-nos firmemente à intervenção dos assuntos internos da Indonésia sob qualquer forma”.

Esperava-se que a delegação da Papuásia Ocidental chegasse ao fórum no fim de semana, mas não pôde embarcar para Tuvalu de Fiji. No domingo, Enele Sopoaga, o primeiro-ministro de Tuvalu, e Dame Meg Taylor, secretária-geral do PIF, disseram que não tinham conhecimento do que tinha acontecido. Parece que o problema era administrativo por parte do governo de Vanuatu, com quem a delegação do Papua Ocidental deveria viajar.

N uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da região no mês passado, Vanuatu conseguiu forçar a inclusão formal da questão da Papua Ocidental na agenda do Fórum das Ilhas do Pacífico, em detrimento das objeções da Austrália.

Wenda apontou que enquanto as potências regionais do Pacífico, Austrália e Nova Zelândia, são críticas veementes de abusos de direitos em todo o mundo “nunca falam sobre Papua Ocidental”.

“Somos seres humanos que querem viver em paz, mas somos discriminados porque os outros querem despovoar o nosso lugar e tirar nossos recursos.

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