Indonésia: Polaco acusado de rebelião na Papua inicia greve de fome

O polaco Jakub Fabian Skrzypski, preso em agosto passado na província indonésia de Papua por supostas ligações com um grupo separatista armado, iniciou esta quarta-feira uma greve de fome para protestar contra a sua situação.

O ato de Skrzypski, que afirma não ser culpado, levou a que o tribunal que o julga na cidade de Wamena, localizado no interior montanhoso da ilha de Nova Guiné, atrasasse o início do julgamento a 14 de janeiro, informou o seu advogado de defesa,  Latifah Anum Siregar, à agência Efe.

O suspeito foi preso em agosto na província indonésia de Papua – na parte ocidental da ilha da Nova Guiné – juntamente com o papuano Simon Carlos Magal, depois de supostamente terem se reunido com o grupo separatista Movimento para a Libertação de Papua (OPM).

As autoridades judiciais imputam aos dois suspeitos vários crimes, inclusive ameaça à vida do presidente ou vice-presidente, planear uma revolução e rebelião.

Segundo a acusação, Skrzypski reuniu-se com vários membros da OPM, incluindo o porta-voz do Exército de Libertação Nacional de Papua Ocidental (TPNPB) – braço armado do OPM – para publicar a informação nos meios de comunicação europeus favorável aos interesses do separatistas.

Apesar de a polícia de Papua ter referido que após a detenção, que o polaco foi detido na posse de munição, a acusação só faz referência a supostas negociações para fornecer armas ao grupo de Papua e acusa a UE de violar as condições do seu visto de turista.

Skrzypski, que viveu na Suíça antes de ser preso,  declarou-se inocente numa carta enviada em setembro, ao jornal suíço Le Temps e a ONG com sede no Reino Unido, Tapol, definiu-o como um turista que agiu “de forma imprudente” numa zona de conflito .

O polaco também exige ser julgado na capital provincial, Jayapura, e não na remota cidade de Wamena.

O TPNPB em dezembro matou pelo menos 16 trabalhadores de uma empresa de construção civil do estado na cidade de Papua de Nduga, a quem acusou de pertencer ao Exército, o que resultou numa série de confrontos com as forças armadas na região.

A metade ocidental da ilha da Nova Guiné  pertence à Indonésia e é o cenário de um conflito separatista desde 1963, quando a Holanda se retirou da até então colónia. A outra metade oriental da ilha, rica em recursos naturais, minerais e energia, pertence à República da Papua Nova Guiné.

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