Ásia

Indonésia: Protestos violentos na região da Papua Ocidental

Grandes manifestações na região da Papua Ocidental, na Indonésia, tornaram-se violentas quando milhares de manifestantes, enfurecidos por supostos abusos policiais contra estudantes da etnia papua, incendiaram instalações públicas e bloquearam estradas.

Segundo informação da polícia indonesia, na capital da província de Papua Ocidental, Manokwari, manifestantes queimaram o edifício do parlamento e as lojas locais.

Um prédio anteriormente ocupado pelo governador da província de Papua Ocidental, Dominggus Mandacan, também foi queimado, relatou o porta-voz da polícia nacional da Indonésia, Dedi Prasetyo, em declarações à Al Jazeera. Não houve relatos de vítimas.

As demonstrações ainda estão em andamento. “Por enquanto, ainda estamos concentrados em recolher dados sobre as vítimas e tentar acalmar as massas”, disse Prasetyo à Al Jazeera.

Imagens obtidas pela estação mostraram os manifestantes, incluindo muitos jovens estudantes, agitando a bandeira “Morning Star”, que é vista como um símbolo de autonomia pelos papuas.

“Nós não somos brancos e vermelhos, somos a estrela da manhã”, gritavam os manifestantes, em referência à bandeira da Indonésia e à bandeira da Papua.

Indivíduos portadores da bandeira proibida podem ser detidos e presos durante até 15 anos.

Também se verificaram manifestações na cidade de Jayapura, a capital e maior cidade de Papua, a província mais oriental do país. Centenas de pessoas de mota foram vistas juntando-se ao protesto.

A região da Papua Ocidental da Indonésia é dividida em duas províncias, Papua Ocidental e Papua.

A manifestação de segunda-feira irrompeu após a prisão na semana passada de estudantes de etnia papua que vivem em Surabaya e Malang na ilha de Java. Os estudantes foram acusados de atirar a bandeira da Indonésia para um esgoto – alegações que negaram em entrevista à imprensa local, Suara Papua.

Respondendo ao relatório, a polícia trancou o dormitório dos estudantes papuanos e disparou gás lacrimogêneo para limpar os quartos.

O site de notícias da Indonésia, Tirto, e outras agências de notícias informaram que os estudantes foram submetidos a abuso racial. Terão sido supostamente chamados de “macacos” por espectadores, quando foram presos pela polícia.

Os estudantes foram libertados no domingo. Mas entretanto, as tensões já aumentaram, com o Comité Nacional da Papua Ocidental (KNPB) pedindo que os papuas participem do protesto contra o governo.

A região foi uma colónia holandesa até ao início dos anos 60, quando a Indonésia assumiu o controlo, cimentando o seu domínio com um referendo controverso.

O governo de Jacarta afirma que a região de Papua Ocidental, que ocupa a metade ocidental da ilha de Papua Nova Guiné, é indonésia porque fazia parte das Índias Orientais Holandesas, que formam a base das fronteiras modernas do país.

Uma rebelião armada de baixo nível pelos papuanos indígenas, que agora compõem cerca de metade da população após anos de migração de pessoas de outras partes da Indonésia, vem ganhando força desde então.

Papua Ocidental é a região mais pobre do país, e tem havido denúncias de violação de direitos humanos desde então.

Em dezembro, a violência também irrompeu na província, causando a morte de pelo menos 17 pessoas e provocando uma repressão militar.

Cerca de 35.000 civis foram forçados a sair de suas casas, enquanto as forças de segurança tentam expulsar os rebeldes das montanhas cobertas de florestas.

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