Malásia: Ex-vice-primeiro-ministro diz que o país está a cair numa ditadura

O ex-vice-primeiro-ministro da Malásia, Muhyiddin Yassin, publicou uma declaração na sua página do Facebook, alertando para que o país está a cair numa ditadura. Yassin acusou o primeiro-ministro Najib tun Razak de orientar este retrocesso da democracia.

“Najib está a usar todo o poder que tem para suprimir a voz da oposição e silenciar as suas críticas”, alertou Yassin, acrescentando “Estamos a assistir ao colapso das instituições democráticas e ao surgimento de uma nova ditadura.”.

Esta não foi a primeira crítica feita por Yassin, mas terá sido o ataque mais forte ao primeiro-ministro até à data. Najib afastou Muhyuddin Yassin, no ano passado, depois de o ex-vice-primeiro-ministro ter levantado dúvidas sobre investigações ligadas a Najib Razak. Desde então a carreira política de Yassin tem vindo a cair, e, na semana passada foi suspenso do cargo de vice-presidente da UMNO, o principal partido da coligação governamental.

As declarações de Yassin vão de encontro às do ex-primeiro-ministro Mahathir Mohamed, feitas na semana passada. Mahathir tem sido um forte crítico de Najib desde há mais de um ano depois de suspeitas de corrupção sobre Najib e a sua família terem sido largamente difundidas. Tal como Yassin, Mahathir, alerta para que o primeiro-ministro está a conduzir a Malásia para ditadura.

No entanto, nem Mahathir nem Yassin são ideais porta-vozes para alertar sobre a ameaça à liberdade na Malásia.

Mahathir expulsou o então vice, Anwar Ibrahim, em 1998 depois de Anwar ter discordado do primeiro-ministro sobre a política monetária e da necessidade de mais liberdade dentro do partido do governo e da Malásia em geral. Mahathir continuou a dominar o governo e as autoridades levantaram um caso altamente dúbio de sodomia contra Anwar.

O governo tentou suspender ou bloquear o acesso às redes dos meios de comunicação independentes da Malásia, e os tribunais acolheram a proibição das t-shirts usadas pelo grupo da sociedade civil Bersih. O governo alegou que as camisolas eram uma ameaça à segurança nacional.

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