Ásia | Segurança

Myanmar: Os Rohingya são a minoria muçulmana mais perseguida do mundo

O governo militar de Myanmar retirou ao povo Rohingya a sua cidadania e continua a enfraquecê-lo recusando cuidados de saúde a esta minoria muçulmana.

O povo Rohingya, a minoria muçulmana perseguida em Myanmar, continua a enfraquecer em “condições terríveis”, em que crianças morrem porque lhes são recusados cuidados de saúde, avisou a Organização das Nações Unidas (ONU), acrescentando que este problema pode ser esquecido depois de esmorecer o efeito das recentes eleições.

O alerta foi dado por um representante da ONU na sequência de uma visita ao estado ocidental Rakhine, onde os Rohingya foram alvo de violentos ataques e de descriminação imposta pelo estado de Myanmar de maioria budista, ganhando a reputação de ser um dos povos mais perseguidos do mundo.

Mais de 100,000 Rohingya definham nos campos de Myanmar ocidental depois da agitação popular no estado de Rahkine ter deixado as aldeias incendiadas e feito inúmeros mortos em 2012.

Foi-lhes negada a cidadania e um grande número foi privado de direitos nas eleições históricas de novembro que deram a vitória ao partido pró-democracia de AunSan Suu Kyi.

John Ging, diretor de operações do Departamento das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (UNOCHA), mostrou-se chocado ao verificar o estado dos campos de refugiados durante a sua visita em fevereiro.

O representante descreveu um aglomerado de abrigos temporários à beira do colapso, e reportou histórias de famílias a quem foram negados cuidados médicos devido à sua religião.

“É destroçador ver tantas crianças em condições tão terríveis”, afirmou em declarações em Nova Iorque na passada terça-feira.

“Uma mãe contou-me que o seu bebé, com menos de um mês de vida, morreu por falta de oxigénio em dezembro, depois de lhe ter sido negado a ela, acesso a tratamento, no hospital da localidade vizinha”, acrescentou Ging.

Numa declaração anexa, UNOCHA reforçou que o Rohingya assim como outros grupos deslocados pela violência “não devem ser esquecidos” ao passo que o país caminha para a democracia.

“Myanmar atravessa uma impressionante transformação democrática, acompanhada por um crescimento económico e desenvolvimento. Contudo, nem todos em Myanmar beneficiam desta transição,” acrescentando que cerca de 100,000 não-Rohingyas, também estão deslocados devido a conflitos entre o exército e os rebeldes étnicos nos estados de Kachin e Shan.

Apesar de Suu Kyi ter dito que irá proteger os muçulmanos, a Prémio Nobel da Paz enfrenta a crítica internacional por não ter adoptado uma posição mais forte no assunto Rohingya e por não ter colocado nenhum candidato muçulmano nas eleições de novembro.

Encontrar uma solução para os Rohingya e manifestar-se fortemente contra a retórica muçulmana entre os budistas nacionalistas, será a chave mestra da sua administração.

Nos últimos anos, dezenas de milhares de Rohingyas abandonaram Rakhine em viagens de risco pelo mar, procurando sobretudo países de maioria muçulmana como a Malásia e a Indonésia.

 

© e-Global Notícias em Português
Comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Topo