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Começou oficialmente a corrida para a sucessão de Ban Ki-Moon

Nos corredores da Organização da Nações Unidas (ONU), desde terça-feira, há uma agitação pouco habitual. O Secretário-Geral Ban Ki-Moon termina o seu segundo e último mandato a 31 de Dezembro de 2016 e a corrida para a sua sucessão foi oficialmente lançada pelos presidentes do Conselho de Segurança e da Assembleia geral, a embaixadora americana  Samantha Power e o dinamarquês Mogens Lykketoft.

Os 193 estados membros da ONU receberam esta terça-feira uma carta inédita de Lykketoft onde pede a cada país para apresentarem o seu candidato num calendário que permita ao Conselho de efectuar a sua escolha até Julho de 2016. Na mesma missiva explica que depois da recepção dos currículos os potenciais candidatos serão sujeitos a uma entrevista para a selecção.

Com esta carta Mogens Lykketoft pretendeu apenas respeitar a resolução adoptada a 11 de Setembro pela Assembleia Geral sobre a sucessão de Ban Ki-Moon que pretende ser mais equilibrada e transparente. A mesma resolução estabeleceu também o perfil do candidato que foi relembrado por Lykketof.

Assim, na carta Mogens Lykketoft defende, “tal como muitos desejam”, candidaturas de mulheres, lançando assim a sugestão de uma mulher como a primeira Secretária-Geral ONU desde a sua criação. Lykketoft lembra também que a selecção dos candidatos deve ter em conta o princípio da “diversidade regional”, ou seja, a rotação da origem geográfica do candidato.

Considerando este princípio, “diversidade regional”, depois de um sul-coreano, Ban Ki-Moon, e de um ganiano, Kofi Annan, o novo ou nova Secretário-Geral da ONU poderá ser da Europa de Leste, um critério que está a agradar sobretudo à Rússia.

Moscovo não esperou pela carta de Mogens Lykketoft para arrancar com uma discreta campanha pelo seu incógnito candidato… ou candidata. A candidatura da directora da Unesco, Irina Bokova, e da Vice-Presidente da Comissão europeia, Kristalina Georgieva, ambas búlgaras, assim como as candidaturas já apresentadas do ministro dos negócios estrangeiros croata, Vesna Pusic e do ex ministro dos negócios estrangeiros da Macedónia, Srgjan Kerim, justificam o falso nervosismo russo.

Segundo o artigo 97º da Carta das Nações Unidas o Secretário-Geral é eleito pela Assembleia Geral sob recomendação do Conselho de Segurança, que na realidade significa que a escolha do candidato à sucessão de Ban Ki-Moon está nas mãos membros permanentes do Conselho de Segurança (EUA, Inglaterra, França, Rússia e China), uma garantia suplementar para Moscovo que, juntamente com Pequim, quer ter permanentemente um controlo directo ou indirecto sobre o Secretário-Geral.

O princípio da “diversidade regional” coloca assim em difícil postura a candidatura do ex primeiro-ministro português e actual Alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados em fim de mandato, António Guterres, mas também as candidaturas da antiga primeira-ministra da Nova Zelândia Helen Clark e da presidente chilena Michelle Bachelet.

Vários indícios apontam que a 1 de Janeiro de 2017 uma mulher poderá ser a primeira Secretária-Geral da ONU, a qual deverá ser da Europa de Leste e muito provavelmente russa ou pró-russa, para evitar que seja originária de um todo-poderoso membro permanente do Conselho de Segurança.

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