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Confronto entre Madagáscar e a OMS devido ao preparado para curar o Covid-19

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou contra o Covid Organics, um chá de ervas de artemísia de Madagascar, usado na ilha contra o Covid-19 e cujos efeitos reais ainda são incertos. Questionado pela RFI na segunda-feira, 11 de maio, o presidente do país, Andry Rajoelina, acusou a comunidade internacional de se opor à bebida “porque é da África”.

O Covid Organics é um preparado de ervas feito de várias ervas encontradas na ilha, cujo principal componente é a artemísia. “Se não fosse Madagáscar e se fosse um país europeu que tivesse descoberto esse remédio, haveria tantas dúvidas? Eu não acho“, disse segunda-feira, Rajoelina à RFI, entrando em confronto com a OMS, em particular, a qual acusa de atitude condescendente em relação à África.

Numa declaração recente, a OMS reconheceu que a artemísia “é considerada um possível tratamento para o Covid-19”, alertando para que deve aguardar testes científicos rigorosos.

O presidente da Ilha Grande, por sua vez, lembra que a artemísia recebeu da OMS o status de “remédio tradicional melhorado” e confia na urgência da situação para justificar a sua utilização. O governante também promoveu amplamente o uso deste chá de ervas na ilha, tornando-o obrigatório, em 22 de abril, para os estudantes que regressaram às aulas.

Andry Rajoelina alega que Madagáscar não tem vítimas mortais do Covid-19, apesar de ter quase 200 casos de contaminação confirmados, referindo que todos esses pacientes tomaram o Covid Organics.

O Covid Organics é um chá de ervas feito de várias ervas encontradas na ilha, cujo principal componente é a artemísia. Esta planta, amplamente utilizada por um longo tempo, tem efeitos preventivos e curativos, bem conhecidos e reconhecidos pela OMS, contra muitas doenças como a malária. Madagascar é o primeiro país produtor dessa planta relativamente cara em África.

Enquanto vários países do continente, como o Tchade, Guiné-Bissau e Guiné Equatorial, começam a importar o Covid Organics de Madagascar, a OMS alertou os líderes africanos para o fato de ainda não terem sido realizados testes científicos.

Noutros países como o Senegal, os rumores sobre o preparado de ervas motiva parte da população a adquirir a artemísia de qualquer forma, fazendo com que os preços subam.

Entretanto, o representante da OMS para a África, Matshidiso Moeti, alertou a população para outro perigo representado por esta planta: “Elogiar esse produto preventivo pode fazer com que as pessoas acreditem que não precisam respeitar outras medidas. “

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