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Covid-19: 38 milhões de empregos perdidos na África Oriental devido à pandemia

O mercado de trabalho da região da África Oriental foi o mais atingido no continente africano pelo impacto da pandemia Covid-19, com uma estimativa de 38 milhões de empregos perdidos.

“Quando a pandemia de Covid-19 colocou a economia global em recessão, a região da África Oriental não foi poupada”, de acordo com um relatório publicado na quarta-feira pela 24ª sessão da Comissão Económica da ONU para a África (UNECA), intitulado Impactos Económicos e Sociais da Covid -19 na África Oriental.

Apresentando o relatório do Comité Intergovernamental de Altos Funcionários e Especialistas, Mama Keita, Chefe da ECA na África Oriental, disse que a região “dificilmente crescerá em 2020, com apenas quatro países a caminho de experimentar um crescimento positivo em 2020″, de acordo com um comunicado divulgado na quarta-feira.

Os números da ECA mostram que os quatro países da África Oriental a caminho de experimentar um crescimento positivo em 2020 incluem o Sudão do Sul com 4,1% de crescimento do PIB, seguido pela Etiópia e Tanzânia com cerca de 2% e Quénia com 1%.

O crescimento da África Oriental diminuirá consideravelmente para 0,6 por cento em 2020 de 6,6 por cento em 2019, observou.

Keita também enfatizou que a pandemia COVID-19 “ampliou as vulnerabilidades da dívida na região”.

“Antes da crise, havia cinco países com rácios dívida / PIB superiores a 50% em 2019 (Burundi, Eritreia, Etiópia, Quénia e Seychelles). Agora, a pandemia aumentou a probabilidade de o problema piorar na região e se espalhar para mais países”, apontou a responsável.

Maioria dos países apresenta lacunas nos sistemas de saúde

Do lado social, Keita explicou que, embora a África Oriental tenha uma incidência menor de casos de Covid-19 em comparação com o resto da África, a maioria dos países apresenta lacunas críticas nos seus sistemas nacionais de saúde.

O relatório também observou que em termos de financiamento do sistema de saúde, bem como sua qualidade e adequação, a África Oriental estava “infelizmente mal preparada para uma pandemia”.

“A maioria dos países da África Oriental gasta menos de 50 dólares americanos per capita em saúde, o que é menos da metade da média africana que é de 114 dólares americanos per capita por ano”, diz o relatório.

O relatório também destacou que o equilíbrio e a sequência corretos entre as intervenções de saúde e políticas económicas e sociais continuam a ser críticos.

O documento realça ainda o impacto do Covid-19 na educação, levando ao encerramento de escolas que afetou 96 milhões de alunos na África Oriental.

Acesso limitado à internet

Keita disse que embora muitos governos tenham introduzido estratégias de ensino remoto, o acesso a tecnologias como internet, televisão e rádio é limitado em países de baixos rendimentos, especialmente entre as famílias mais pobres.

O relatório também apelou aos decisores políticos em África para aproveitarem a digitalização e o comércio digital, visto que a pandemia destacou a importância da economia digital.

“Empresas, funcionários e estudantes com acesso à infraestrutura digital não foram tão economicamente afetados pela pandemia quanto aqueles sem acesso”, revela o relatório.

A África Oriental é uma das regiões menos afetadas por Covid-19 no continente africano, onde, de acordo com os últimos dados dos Centros Africanos para Controlo e Prevenção de Doenças (CDC da África), o número de casos confirmados de Covid-19 na região atingiu 258.514, e o número de mortos 5.011 na quarta-feira.

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