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Diretor-Geral da OMS apelidou de ‘mentalidade colonial’ e ‘racista’ a proposta de África ser ‘campo de testes’ de vacina para o Covid-19

O Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) condenou os comentários “racistas” de dois médicos franceses que sugeriram que uma vacina para o coronavírus poderia ser testada em África.

A África não pode e não será um campo de testes para qualquer vacina“, sublinhou o diretor geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado pela BBC.

Os comentários dos médicos durante um debate na televisão provocaram indignação e foram acusados de tratar os africanos como “cobaias humanas“. Um deles mais tarde emitiu um pedido de desculpas.

Quando questionado sobre a sugestão dos médicos, durante a conferência de imprensa sobre o coronavírus da OMS, Tedros ficou visivelmente irritado, apelidando-o de ressaca da “mentalidade colonial“.

“Foi uma vergonha terrível, ouvir no século XXI, ouvir de cientistas, esse tipo de comentário. Condenamos isso nos termos mais fortes possíveis e garantimos que isso não acontecerá“, afirmou o dirigente.

A declaração polémica ocorreu num debate no canal de televisão francês LCI, em que Camille Locht, chefe de investigação do grupo de investigação em saúde Inserm, falava sobre um teste de vacina na Europa e na Austrália.

Jean-Paul Mira, chefe de terapia intensiva do hospital Cochin em Paris, disse que “Se posso ser provocador, não deveríamos fazer este estudo na África, onde não há máscaras, tratamentos ou ressuscitação? Um pouco como acontece noutros estudos sobre a SIDA. Nas prostitutas, tentamos coisas porque sabemos que elas estão altamente expostas e que não se protegem“.

Locht concordou com a sugestão afirmando, “Você está certo. Estamos no processo de pensar num estudo paralelo na África“.

Mira tinha questionado anteriormente se o estudo funcionaria conforme planeado para os profissionais de saúde na Austrália e na Europa, porque tinham acesso a equipamentos de proteção individual (EPI) enquanto trabalhavam.

O programa provocou uma revolta generalizada, inclusive do ex-jogador de futebol Didier Drogba, que disse que os comentários eram “profundamente racistas“, acrescentando “Não façam do povo africano cobaias humanas! É absolutamente nojento“.

Também o ex-jogador de futebol Samuel Eto’o chamou os médicos de “assassinos“.

Os comentários dos médicos agravam os receios existentes na África de que os africanos serão usados como cobaias para uma nova vacina contra o coronavírus.

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