Entrevista Fernando Cruz Gonçalves sobre as alternativas ao transporte marítimo pela rota do Suez – Parte II

A E-Global entrevistou Fernando Cruz Gonçalves, Especialista em Economia Marítima-Portuária, no sentido de entender as limitações das alternativas ao transporte marítimo pelo Mar Vermelho, em virtude do aumento dos ataques dos Houthis que impactam de forma significativa o comércio internacional.

A rota do Suez, ao longo dos anos, tem enfrentado desafios e restrições que afetam a passagem de navios pelo canal, e impactam o comércio global e a logística de transporte marítimo, sejam elas as condições climáticas adversas, o congestionamento de tráfego, a manutenção e reparos na via navegável, ao encalhar de navios e agora a ataques por parte de grupos rebeldes.

Todos estes fatores deixam a pensar se poderá haver alternativas a esta rota num futuro próximo, “a China tem já há alguns anos o sonho de reavivar a rota da Seda e para isso tem feito investimentos significativos, nomeadamente na Ásia e em África, para a construção de infraestruturas portuárias e terrestres numa lógica de melhorar a acessibilidade aos mercados ocidentais. Criando assim condições para chegar mais facilmente aos mercados destino. Isto porque, há a possibilidade de chegar à Europa via ferroviária. Assim, poderá haver uma aposta nesse tipo de alternativas”, explica Fernando Cruz Gonçalves.

No entanto, o Especialista pondera ainda um plano C, “a rota polar – a distância mais curta entre o extremo oriente e a Europa é pelo norte. Mas apesar de ser mais curta, temos o gelo, que só permite que seja utilizada durante uma determinada parte do ano.”

“Pode haver soluções como o quebra-gelo, mas isto significaria que a boca (largura do navio) do navio fica limitada à boca do quebra-gelo, o que limita o tipo de navio que possa fazer esta rota, restringindo também a competitividade da mesma. Embora ultimamente com as alterações climáticas tenha levado a um maior degelo e a rota ser mais navegável, enfrenta limitações complicadas, nomeadamente em direitos de passagem e questões de natureza ambiental que podem questionar a sustentabilidade do nosso próprio planeta”.

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