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Europeus e africanos traçam novas medidas para enfrentar a crise da migração

As “grandes quatro” potências europeias e três estados africanos acordaram, na segunda-feira, um plano para combater o tráfico ilegal de seres humanos e apoiar as nações que lutam para conter o fluxo de pessoas através do deserto e do mar Mediterrâneo.

Depois de hospedar os líderes da Alemanha, Itália, Espanha, Chade, Níger e Líbia, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que está na hora de uma maior coordenação para alcançar uma resposta coerente ao fluxo de imigrantes que fogem da guerra, da pobreza e das agitações políticas no Médio Oriente e na África.

“Devemos agir em conjunto – desde os países de origem, a Europa e os países de trânsito, especialmente a Líbia – para sermos eficientes”, declarou Macron aos jornalistas. “É um desafio tanto para a União Europeia como para a União Africana”.

Embora o encontro tenha sido escasso em detalhes concretos, os líderes concordaram com a criação de um mecanismo para identificar migrantes legítimos que fogem da guerra e perseguição, e através das Nações Unidas, registá-los no Níger e no Chade, de modo a evitar que sejam explorados pelos traficantes.

“No fundo, trata-se de lutar contra a migração ilegal”, disse a chanceler alemã Angela Merkel em conferência de imprensa, afirmando estar disposta a aumentar seus esforços. “Se queremos parar os traficantes de seres humanos, isso só pode ser alcançado através da ajuda ao desenvolvimento”, disse.

A crise dos migrantes colocou Paris e Roma em desacordo. A Itália acusou a França e outros estados da UE de não compartilhar os prejuízos dos migrantes e também pediu à Comissão Europeia uma maior flexibilidade orçamental para ajudar a enfrentar a crise.

Cerca de 120 mil migrantes, inclusive refugiados, entraram para a Europa, pelo mar, em 2017, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Mais de 2.400 morreram afogados durante a travessia, muitas vezes sem comida ou água suficientes em botes sobrelotados geridos por contrabandistas de pessoas.

A reunião informal não especificou nenhum novo financiamento e os líderes reforçaram que a estabilização da caótica Líbia, onde milhares de migrantes acabam, antes de embarcar numa perigosa travessia do Mar Mediterrâneo para a Europa, seria a chave para qualquer solução a longo prazo.

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