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França tenta impulsionar força antijihadista no Sahel com Cimeira em Paris

Paris está consciente dos problemas de comunicação e articulação militar dos cinco países que compõem a força antijihadista G5 Sahel constituída pelo Mali, Níger, Burquina Faso, Mauritânia e Chade, assim como a França como padrinho discreto da iniciativa.

Para além da complexidade de criar um consenso numa força multinacional que deverá operar para além das fronteiras de cinco países, o G5 Sahel tem como principal adversário o seu financiamento. Neste sentido o presidente francês, Emmanuel Macron, que pretende que a força militar francesa de 4.000 homens no quadro da Operação Barkhane comece discretamente a desmobilizar, tenta minimizar os problemas ornamentais do G5 e forçar um entendimento militar estratégico entre os cinco estados que compõem a força conjunta de 5.000 homens, assim como pretende um empenhamento mais internacional.

Uma complexa tarefa tendo em conta que cada um dos países que compõem o G5 Sahel interpretam o fenómeno jihadista na região de formas distintas, assim como qualificam diferentemente as múltiplas organizações terroristas e islamistas que polvilham o Sahel e têm sistemas de gestão distintos com as organizações islamistas combativas. Consequentemente, os parâmetros securitários e as prioridades estratégicas francesas não são as mesmas da coligação.

Para recompor a “orquestra Sahelina”, Emmanuel Macron reúne esta quarta-feira em Paris o seu homólogo maliano Ibrahim Boubakar Keïta, o nigeriano Mahamadou Issoufou, o burquinabê Roch Marc Christian Kaboré, o chadiano Idriss Déby e por fim o mauritano Mohamed Ould Abdelaziz.

Pretendendo alargar o eixo de interesses e implicação no “programa”, e particularmente ultrapassar a problemática orçamental, Macron chamou também a Paris a ONU, União Africana, União Europeia, mas especialmente a chanceler alemã Angela Merkel, o chefe do executivo italiano Paolo Gentiloni e o belga Charles Michel. Também presente está a Arábia Saudita, Emirados e EUA.

Segundo alguns especialistas os grupos jihadistas no Sahel reúnem entre 500 a 800 homens com grande capacidade operativa. Uma estimativa grotesca tendo em conta a multiplicidade de grupos e milícias na Líbia que, cada vez mais, migram para a região sahelina. Uma estimativa que também deveria ter em conta o alerta lançado pela União Africana de que cerca de 6.000 jihadistas do Estado Islâmico africanos estariam de regresso aos seus países.

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