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Governo francês adopta medidas excepcionais para evitar cenas de “guerrilha urbana” em Paris

Não querendo declarar “estado de emergência”, apesar de ter sido evocado, o Governo francês está a empenhar medidas excepcionais de segurança para evitar cenas de “guerrilha urbana” no coração de Paris, tal como foi o ambiente insurreccional vivido no sábado 30 de Novembro.

Este sábado vão estar posicionados na capital francesa 18 blindados da gendarmerie, que têm como missão principal proteger os monumentos mais emblemáticos da Cidade das Luzes, uma medida que tenta impedir a repetição de pilhagens e degradações idênticas às que ocorreram no Arco do Triunfo, em que, para além de um rasto de destruição no interior do monumento, o túmulo do Soldado Desconhecido foi profanado.

FR_manifParis02Também cerca de 8.000 elementos das forças de ordem (contra 4.600 no sábado passado) vão estar presentes na capital francesa, e 89.000 em toda a França, com uma orgânica de intervenção distinta da que foi adoptada a 30 de Novembro e que demonstrou ser ineficaz face à rápida mobilidade dos grupos de manifestantes assim como a sua disseminação nas artérias adjacentes às avenidas palco de violências e distúrbios.

Excepcionalmente, os locais que atraem mais turistas vão permanecer encerrados, tais como a Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Museu do Louvre e Orsay, as Óperas Garnier e Bastilha, entre outros, assim como foram anulados vários eventos desportivos e culturais que deveriam ter lugar este sábado em Paris.

O Palácio do Eliseu terá também um dispositivo de segurança reforçado. O presidente Emmanuel Macron decidiu permanecer no palácio este sábado, a fim de acompanhar de perto a evolução das manifestações, apesar de um dos múltiplos líderes dos “Coletes Amarelos” ter ameaçado durante uma entrevista televisiva que os manifestantes estão dispostos a “entrar no Eliseu”. Durante os incidentes de 30 de Novembro Emmanuel Macron estava na Argentina.

O ministro do Interior francês, Christophe Castaner, disse esta sexta-feira 07 de Dezembro, que vários indícios apontam para o risco de “elementos radicais” da ultra-direita e da ultra-esquerda estarem a mobilizar-se. O ministério do Interior receia também que grupos de delinquentes da periferia de Paris tomem de assalto a capital apenas com a intenção de destruir e pilhar.

O risco de um aumento do nível da violência também não é descartado pelo Governo francês que já alertou que indivíduos armados com intenção de matar podem se infiltrar nos manifestantes.

Este é o “Acto IV” das acções dos “Coletes Amarelos” que iniciaram os protestos após o anúncio de um aumento dos combustíveis para Janeiro de 2019. Divididos em múltiplos grupos em toda a França, sem organização centralizada nem líderes, as reivindicações dos “Coletes Amarelos” diversificaram e agora também exigem que sejam adoptadas medidas para o aumento do poder de compra e pelo aumento das reformas, entre muitas outras reivindicações que diferenciam entre os grupos de “Coletes Amarelos”.

O anúncio do Governo, confirmado pelo Presidente, da anulação dos aumentos dos combustíveis, assim como outras medidas, não foram suficientes para travar os ímpetos “Coletes Amarelos”. A presidência e o Governo francês são acusados pelos partidos da oposição de terem minimizado o fenómeno dos “Coletes Amarelos” e reagido tardiamente.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português, através do seu portal, refere que “Embora não se possa prever exactamente o que irá acontecer no próximo fim-de-semana há, por parte das autoridades francesas, a indicação de que no dia 8 (Sábado) irão continuar as manifestações em Paris, existindo forte possibilidade de confrontos” e precisa que “devem ser bem ponderadas as deslocações não necessárias”.

RN

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