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Mauritânia: Acordo de pesca com UE garante transparência e sustentabilidade

A Mauritânia será o primeiro país do mundo a implementar a nova Iniciativa de Transparência na Pesca (FiTI, na sigla em inglês), mas a Indonésia e as Seychelles já anunciaram intenções de se juntarem ao compromisso.e,

Ao longo de várias décadas, os barcos europeus têm pescado nas águas da Mauritânia, onde a mistura de águas mornas e frias produzem das mais ricas pescas do mundo.

Este acordo é muito importante porque a Mauritânia, neste momento, fornece a Europa com mais peixe do que Itália ou Irlanda, por exemplo.

De acordo com a lei internacional, as frotas estrangeiras podem pescar unicamente o peixe excedentário, o peixe rejeitado pelos pescadores da Mauritânia. Mas os navios-fábrica estrangeiros conseguem capturar e transportar enormes quantidades de peixe, muito mais do que os pescadores locais com os seus tradicionais barcos de madeira, e existem sinais evidentes de que estes barcos estrangeiros não estão a respeitar a lei.

Consequentemente, o tamanho dos peixes capturados é cada vez mais pequeno, os pescadores mauritanos têm que navegar cada vez para zonas mais distantes da costa para conseguirem ganhar a vida e a falta de recursos alimentares ameaça a população que sobrevive da pesca e o modo de vida dos mauritanos.

Noutros países do Sahel, comprova-se como a pobreza e o desemprego são um solo fértil para o crime organizado e para o terrorismo. Inviabilizar a pesca como modo de vida do povo da Mauritânia terá consequências muito graves para os europeus.

Perante estes factos, o acordo assinado em novembro entre a Mauritânia e a União Europeia com vista a garantir a sustentabilidade dos recursos heliêuticos na região e uma compensação justa para as comunidades piscatórias locais foi muito bem acolhido por ambas as partes.

Além do preço pago pelas capturas pelas frotas europeias, a União Europeia pagará acima dos 59 milhões de dólares por ano, incluindo fundos para suportar as comunidades de pesca locais. O acordo também implica que os arrastões de pesca europeus tenham 60% de tripulação mauritana.

Com o intuito de respeitar a quantidade de peixe a ser pescado, a  Mauritânia tem trabalhado neste sentido com pescadores e especialistas governamentais de todo o mundo, incluindo as Nações Unidas, os EUA, o Banco Mundial, sector privado e organizações sem fins lucrativos.

O acordo para a Transparência na pesca vai controlar quem tem permissão para pescar nas águas da Mauritânia, utilizando métodos tecnológicos como satélite

 

s, permitindo identificar os pescadores ilegais.

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