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Argélia: Bouteflika renuncia a concorrer a um quinto mandato após protestos sem precedentes

A Argélia foi confrontada com um movimento de protesto sem precedentes nas últimas duas semanas, após ser conhecida a recandidatura de Abdelaziz Bouteflika à presidência, levando a que o Presidente argelino tenha anunciado a renuncia ao quinto mandato e o adiamento da eleição presidencial prevista para 18 de abril, informou a agência de notícias oficial na segunda-feira.

O anúncio surge no momento em que milhares de pessoas, principalmente estudantes, tomaram as ruas para exigir que o líder argelino não se recandidatasse, acusando o governo de corrupção generalizada.

Numa mensagem dirigida à nação, publicada pela agência oficial da APS, Bouteflika anunciou que a eleição presidencial será realizada “na sequência de uma conferência nacional” para reformar o sistema político e elaborar um projeto de Constituição até ao final de 2019.

Os protestos na Argélia, que se iniciaram há alguns meses nas bancadas dos campos de futebol, alastraram para as ruas em 22 de fevereiro.

Desde então, sobretudo às sextas-feiras, dia sagrado para os muçulmanos, milhões de pessoas têm protestado contra a corrupção de um regime dominado pelas Forças Armadas e os serviços secretos.

Na presidência desde 1999, Bouteflika sofreu em 2013 um “derrame cerebral” que afetou as suas faculdades físicas e o impediu de fazer campanha nas presidenciais do ano seguinte, que voltou a vencer apesar dos protestos da oposição.

Desde o incidente de saúde, Bouteflika não se exprime em público, move-se numa cadeira de rodas manejada pelo seu irmão Saïd e as suas aparições públicas resumem-se habitualmente a imagens gravadas pela televisão estatal na ocasião do Conselho de ministros ou de vistas de altos dignitários estrangeiros.

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