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Argélia: Indiferente aos protestos, Abdelaziz Bouteflika é candidato a quinto mandato

Argel

Fortemente incapacitado, fisicamente e psicologicamente, após um acidente vascular cerebral, Abdelaziz Bouteflika, que celebrou este sábado o seu 82 aniversário num hospital na Suíça, depois de passar o seu último mandato numa cadeira de rodas e as suas raras aparições públicas terem sido sempre demonstrativas do seu precário estado de saúde, será candidato a um quinto mandato como presidente da Argélia.

A anúncio da recandidatura de Bouteflika foi uma decisão que não agradou à maioria da juventude argelina, particularmente aos estudantes bem como aos professores, médicos, advogados e jornalistas que decidiram, de forma inédita, sair às ruas manifestando contra a possibilidade de Bouteflika concorrer mais uma vez à presidência. Manifestações à escala nacional que não mereceram qualquer reacção do regime argelino, que optou pelo silêncio. A excepção, que não passou despercebida, aconteceu este sábado quando a televisão estatal difundiu algumas imagens dos protestos.

Indiferente aos protestos, este domingo 03 de Março, Abdelghani Zaalane entregou no Conselho Constitucional em Argel os formulários que oficializam a candidatura de Abdelaziz Bouteflika.

Abdelaziz Bouteflika terá como adversários Abdelaziz Belaid, da Frente Al-Moustakbel, Mahfoudh Adoul, do Partido da Vitoria Nacional, Abdelkader Bengrina, do Movimento El-Bina, assim como Ali Zaghdoud, Abdelhakim Hamadi e o independente Ali Ghediri, que também entregaram as suas candidaturas este domingo.

O antigo primeiro-ministro Ali Benflis, que seria um sério adversário de Bouteflika, decidiu subitamente renunciar à sua candidatura, fazendo assim de Ali Ghediri o principal adversário de Abdelaziz Bouteflika. Ali Ghediri, antigo militar, chegou a ser apontado como o potencial sucessor de Bouteflika.

Apesar de até ao último momento terem persistido dúvidas sobre a candidatura de Abdelaziz Bouteflika, observadores em Argel interpretaram que a exoneração do director de campanha de Bouteflika, o antigo primeiro-ministro Abdelmalek Sellal, substituído pelo ministro dos Transportes Abdelghani Zaalane, e a entrega da declaração dos bens de Bouteflika como indícios que já confirmavam que se efectivaria a candidatura de Bouteflika.

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