Líbia: Ahmad al Kleklee considera que não existem condições para a realização de eleições

O clima de insegurança e instabilidade da Líbia prossegue apesar das diferentes partes no conflito terem conseguido chegar a um acordo, estabelecido em Zaouia no final de Setembro. Várias milícias incumbidas da segurança de instituições, tais como os ministérios, ainda não puseram em prática as principais disposições do mesmo, uma situação que está a comprometer o acordo tornando previsível uma possível retoma das hostilidades a todo o momento.

Um dos observadores, e negociador influente, mais atentos ao ambiente político na Líbia é o segundo prefeito de Ghat, Ahmed Moulay al Kleklee, que explicou à e-Global que “a situação actual não permite, de forma alguma, a organização das eleições conforme foi decidido durante a cimeira de Paris, em Maio do corrente ano”.

Para Ahmed Moulay al Kleklee a “retoma da violência é sempre possível, enquanto não se efectivar a retirada de certas milícias de alguns edifícios onde estão instalados ministérios”. Segundo o mesmo responsável as milícias que retiraram “encaram esta intransigência como um desrespeito com os princípios do compromisso a que chegaram em Zaouia, após meses de conversações”.

As milícias de Misrata que têm estado presentes em  Tajoura já dão sinais de “um nervosismo hostil” face às milícias desobedientes tais como a de Abdelghani al Kikli conhecida como “Ghniwa”. Por esse motivo a missão do responsável pela segurança da região de Tripoli, Abderahmane Touil,  não tem sido fácil. A mesma situação está fazer face  Oussama Jouii responsável pela segurança na zona oeste de Tripoli assim como de Liwaa al Hadad.

Mesmo assim os acordos deram um novo folgo à Líbia, e apesar da calma precária, a economia local já dá sinais de alguma recuperação tendo sido registada uma ligeira progressão na actividade económica que se repercutiu imediatamente no valor do Dinar líbio face ao Dólar.

O acordo de Zaouia, que prevê a retirada de todas as milícias armadas da vida política da cidade, assim como a segurança das fronteiras, são condições sine qua non que permitirá à Líbia renascer, defendeu Ahmad al Kleklee que considera que “sem segurança, tanto no interior do país como nas suas fronteiras, nenhuma forma estável de vida pode surgir no horizonte. É nesse sentido que trabalhamos sem cessar de forma a estar em sintonia com os países que conheceram a mesma sorte que nós e que conseguiram reerguer”.

Fazendo alusão à instabilidade no país, Ahmad al Kleklee lembrou também que no sul da Líbia, os raptos de estrangeiros e europeus são cada vez mais frequentes, tendo o último caso acontecido em Julho quando um cidadão romeno e um líbio foram raptados. Uma questão que Ahmad al Kleklee conhece bem e por esse motivo implicou-se em várias ocasiões nas negociações que permitiram a resolução das crises e libertação de reféns.

O episódio mais recente aconteceu em Setembro com o rapto de duas famílias tuaregues que Ahmad al Kleklee conseguiu negociar a libertação, sem o pagamento do resgate exigido pelos raptores.

“Nestas situações é preciso usar a diplomacia, sobretudo para evitar o derrame de sangue e a perda de vidas humanas. O terreno está de tal forma minado e este tipo de incidentes são sempre prováveis”, explicou Ahmad al Kleklee, que para além de ser segundo prefeito de Ghat, é um “negociador influente” e participou em múltiplas reuniões internacionais para a resolução da crise na Líbia.

RC/RN

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