Líbia: Autóctones não querem candidatos à presidência com as mãos sujas de sangue

Líder do partido União Nacional Toubou na Líbia, Adam Arami, de etnia Toubou e originário do sul do país, construiu o seu percurso político em torno do combate pela conquista da liberdade de expressão e opinião, não apenas focalizado na população Toubou, mas abrangendo todos os líbios. Em 2009 constituiu um movimento armado que fez face à ditadura de Muamar Kadhafi, que juntamente com outras organizações provocaram a queda do “Guia” líbio e do seu regime.

Em entrevista à e-Global, Adam Arami explicou que o seu partido, União Nacional Toubou, “defende os direitos políticos, económicos e culturais da população Toubou, a nível local, regional e internacional”. Segundo Adam Arami desde a sua criação, em 2009, o partido participou “em todas as acções e iniciativas que colocam a causa Toubou como principal prioridade. Este movimento, composto por 90 líderes oriundos das populações autóctones, reuniu a 17 de Novembro de 2020 com o objectivo de criar um lóbi capaz de defender os interesses das nossas populações em todo mundo”, explicou Adam Arami.

Sobre o debate em curso se estão, ou não, reunidas a condições para a realização de eleições presidenciais e legislativas na Líbia a 24 Dezembro, Adam Arami vincou que a União Nacional Toubou na Líbia defende a realização das eleições como única via de “barrar a progressão de todos que perderam a legitimidade”.

“Nenhum projecto de sociedade pode concretizar-se sem a voz do povo”, defendeu o líder da União Nacional Toubou na Líbia. No entanto, “os povos autóctones que são os Toubous, Amazighs e Tuaregues colocam algumas reservas quanto à realização das eleições no formato actual, marcada por uma total confusão e manchada pela participação de pessoas acusadas de violação dos direitos humanos e genocídios. As populações autóctones não aceitam a participação de qualquer um cujas mãos estejam sujas de sangue e que podem repetir os seus crimes assim que assumirem o poder, bem como confiscar às populações a sua liberdade e dignidade”.

“Existem muitos candidatos que não têm um percurso político digno”

Adam Arami evitou avançar qual candidato estará melhor posicionado para vencer as eleições. “Existem muitos candidatos que não têm um percurso político digno. Mas, o primeiro-ministro Abdelhamid Dbaibah está bem posicionado para vencer, tendo em conta que soube convencer a população líbia”.

A União Nacional Toubou na Líbia optou por não apresentar um candidato à presidência, mas estará presente nas eleições legislativas. Segundo Adam Arami o seu partido não tem um programa comum devido a que “dá liberdade de acção aos seus candidatos e cada um pode optar por um programa ajustado e que convença os eleitores. Porém, cada candidato tem de apresentar o seu programa, que a seu ver será o mais adequado à situação do país, ao conselho do partido”.

Apesar do partido de Adam Arami participar nas eleições legislativas, reconheceu que não está satisfeito com o número de círculos eleitorais que lhe foram atribuídos, assim como que a manifestação pelo voto dos nossos concidadãos esteja sujeita à vontade do parlamento de Aguila Salah, que pratica a exclusão e marginalização programada na nossa região”, acusou Adam Arami.

O líder da União Nacional Toubou reconheceu igualmente que permanece preocupado “quanto às sombrias práticas que continuam a pairar na paisagem politica do país onde as populações autóctones estão privadas da liberdade do exercício democrático”.

KR/RN

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