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Líbia: Conflito tribal pode determinar o futuro político

Numa altura em que um novo governo de unidade nacional, ainda muito frágil, emerge na Líbia, o país permanece dividido por conflitos tribais e milícias armadas que competem para o controlo do território e dos seus recursos.

A situação é particularmente grave no sul do país, na região fronteiriça com o Níger, o Tchad e a Argélia. Aqui, à presença de grupos terroristas, que beneficiam da total ausência de forças de segurança, junta-se um combate encarniçado entre grupos tribais, touaregs e toubous, que passa na maioria das vezes sem notícia.

Estas duas tribos nómadas, profundamente enraizadas aqui desde há vários séculos, disputam o controlo securitário da exploração petrolífera e das rotas do tráfico em toda a sub-região.

As tensões entre as tribos rivais agudizaram-se quando, em setembro de 2014, os tuaregs acusaram os toubous de pretenderem alargar o tráfico de combustíveis até à região de Oubari, maioritariamente tuaregue, desencadeando-se a partir daí uma guerra sem quartel entre as duas tribos.

Esta vaga de violência está relacionada com o grande afluxo de toubous do Níger e do Chad em direção ao sul da Líbia após a queda de Kadafi, que põe em causa a correlação de forças pre-existente e o estatuto privilegiado dos tuaregs no anterior regime, relativamente ao estatuto ‘paria’ consagrado aos toubous pelo ex-ditador.

Face à pressão exercida pelos toubous, os tuaregs têm vindo a estabelecer alianças com os grupos extremistas também presentes na região, ao passo que os toubous têm procurado apoio junto dos Estados ocidentais interessados numa parceria que possa conter e limitar a ação dos grupos terroristas.

Esta dicotomia, por sua vez, estende-se aos dois governos auto-proclamados na Líbia em resultado da guerra civil que alastra desde 2014. O governo instalado em Tobrouk, reconhecido pela comunidade internacional, é apoiado pelas tributos toubous, enquanto o governo que tem sede em Tripoli, dominado pelos islamistas, goza da simpatia dos tuaregs.

Esta disputa, apesar de pouco noticiada, é crítica para a evolução política da Líbia no curto prazo. O controlo do território a sul da Líbia poderá mostrar-se crucial para o desenlace da guerra civil em curso. E os toubous são a guarda avançada dos interesses ocidentais contra os movimentos islamistas que disputam a liderança do país.

 

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