Líbia : “Ser wali de Tahala é um exercício de resiliência permanente”, diz Ahmed Hima

O antigo vice wali (governador) de Ghat, Líbia, Ahmed Hima foi recentemente nomeado wali da região de Tahala, situada entre Laawinat e Ghat de onde é originário. Ahmed Hima é um dos líderes tuaregues que se destaca devido às suas capacidades negociais nas relações entre toubous e tuaregues. A sua experiência activa nos mecanismos de negociação em ambientes críticos e na resolução de conflitos, foi aplicada com sucesso em vários processos que resultaram na libertação de reféns ocidentais detidos na Líbia, entre os quais italianos e canadianos.

“Fui designado como wali desta localidade situada no sul do país, entre Ghat e Laawinat, em circunstâncias muito particulares”, disse Ahmed Hima  em entrevista à e-Global. “A situação política actual está confusa, devido ao adiamento das eleições presidenciais e legislativas, com a agravante de ainda não conhecermos a data de quando terão lugar as eleições. Este ambiente provoca um aumento da pressão e nós somos foçados a multiplicar os contactos e acções para garantir a estabilidade e a segurança nas regiões que são da nossa responsabilidade”.

Para Ahmed Hima ser wali de Tahala durante um período de forte instabilidade é um exercício de resiliência permanente. “As nossas tradições ancestrais forjaram-nos de forma a nunca desencorajarmos. Face a múltiplas situações complexas, adaptamo-nos, e desenvolvemos nova ideias e soluções que nos fazem avançar assim como transformam-se em desafios que ultrapassamos passo a passo. São os desafios e esta determinação que forjam a nossa personalidade e capacidade para exercer as nossas responsabilidades em circunstâncias difíceis. Estou convicto que veremos uma luz ao fundo do túnel, é apenas uma questão de tempo”, disse o wali de Tahala.

Na qualidade de wali de Tahala, Ahmed Hima  explicou que irá priorizar a estabilidade, com especial incidência no plano socioeconómico desta região no sul da Líbia. “Temos de multiplicar as iniciativas para a estabilização da situação no plano social e da segurança. Quando temos estabilidade, o resto acaba sempre por chegar”, explicou Ahmed Hima. “No plano económico ainda aguardamos pela atribuição do orçamento que permitirá relançar vários sectores, tais como a agricultura e a indústria. A nossa região dispõe de recursos importantes, bem como de outros recursos potenciais que temos de prestar uma atenção particular para podermos tirar os proveitos. Tudo isto será com tempo, mas estamos convictos que vamos conseguir responder com sucesso às expectativas das nossas populações”.

A região de Tahala é um dos territórios onde circulam diversos grupos jihadistas que operam na faixa saheliana. Ahmed Hima encara esta problemática com a filosofia de um negociador conhecedor da realidade no terreno. Segundo Ahmed Hima, wali de Tahala, “cada problema exige soluções que lhe são específicas e adaptadas. A situação da Líbia afectou durante muito tempo os países do Sahel, e agora vemos a outro lado da moeda em que o Sahel afecta a Líbia, especialmente a sua zona sul. Conhecemos muito bem o factor étnico das populações do sul do país bem como as do Sahel, seja do Níger, Mali ou Burkina Faso. Este conhecimento profundo permite encontrar sempre soluções adaptadas ao fenómeno jihadista mas também a outros fenómenos que estão igualmente associados. A nossa experiência no terreno facilita esta tarefa e é determinante na definição das iniciativas a seguir de forma a agirmos com realismo que o momento presente nos impõe”.

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