Magrebe | Segurança

Marrocos preocupado com imagem do país após execução de duas turistas por militantes do Estado Islâmico

A execução de Louisa Vesterager Jespersen, dinamarquesa de 24 anos, e Maren Ueland, norueguesa de 28 anos por presumíveis membros da organização terrorista Estado Islâmico está a preocupar Marrocos que sempre defendeu ter uma política implacável na luta anti e contraterrorista.

Os corpos das duas jovens foram encontrados a 17 de dezembro na zona montanhosa do Atlas num local isolado conhecido como Taounte Ntkhefissa, onde tinham colocado uma tenda para pernoitarem. As duas jovens foram executas com armas brancas e uma foi decapitada.

Quatro suspeitos, de 25 a 33 anos, oriundos de Marraquexe foram identificados como os presumíveis autores da dupla execução. Uma semana antes os suspeitos gravaram um vídeo onde juraram fidelidade à organização terrorista Estado Islâmico. Os mesmos terão difundido através da plataforma Whatsapp um vídeo com a macabra decapitação de uma das jovens, cuja autenticidade ainda não foi confirmada pelas autoridades marroquinas mas já confirmada pelos serviços de informações dinamarqueses (PET).

Imediatamente foi lançada uma caça ao homem e quatro indivíduos suspeitos foram identificados após terem sido filmados por uma câmara de vigilância instalada num hotel em Imlil, ponto de partida para a zona onde as duas turistas decidiram acampar. Após a divulgação das fotografias dos suspeitos, estes foram detidos e transferidos para Salé na periferia de Rabat.

Segundo o porta-voz da Direção Geral da Segurança Nacional (DGSN) Boubker Sabik, os terroristas pretendiam “executar terroristas estrangeiros”, e não tinham como alvo estruturado as duas jovens vítimas. Boubker Sabik defende também que a execução de Louisa Vesterager Jespersen e Maren Uelan foi “um ato isolado que não está relacionado com a organização Daesh”.

Desde 2011, com o atentado em Marraquexe que causou 17 mortos, que Marrocos não assistira a ações terroristas no seu solo, que tivessem um impacto internacional. No entanto, partiram do reino 1.669 marroquinos, segundo os dados oficiais, para combaterem nas fileiras do Estado Islâmico na Síria e Iraque. Alguns destes terroristas levaram a cabo atentados na Europa, tal foi o caso de Abdelhamid Abaaoud, um dos cérebros dos atentados terroristas em Paris a 13 de novembro de 2015 que causaram 130 mortos e mais de 300 feridos.

A mórbida execução das duas jovens turistas escandinavas lembrou que Marrocos, assim como os restantes países do Magrebe, está exposto especialmente à ameaça terrorista. Uma imagem que Rabat quer neutralizar no imediato insistindo que “Marrocos é um país de paz e de segurança”.

“Terrorism is no religion”, e “não ao terrorismo”, expõem várias crianças em cartazes à saída das escolas. Uma vasta campanha foi imediatamente lançada através das redes sociais realçando Marrocos como um país seguro. Homenagens às jovens massacradas multiplicam-se, assim como várias fotografias “espontâneas” com cartazes em que lê-se pedidos de “perdão” às famílias das vítimas circulam nas redes sociais. Algumas destas iniciativas foram promovidas pela sociedade civil e divulgadas na internet em que o principal mote é insistir que Marrocos é um país seguro.

Os artigos na imprensa magrebina e francófona que destacam que Marrocos, tal como qualquer outro país, faz face a uma ameaça real terrorista são automaticamente contrariados pela imprensa marroquina e os seus autores acusados de pretenderem estigmatizar o reino.

O turismo representa 10% do PIB de Marrocos, sendo também o turismo o setor que mais empregos garante, logo após a agricultura. Após a mórbida execução das duas jovens escandinavas, para Marrocos a preservação da imagem do país é uma prioridade tão vital como as medidas anti e contraterroristas.

O exemplo da Tunísia preocupa Marrocos. Após uma vaga de atentados contra turistas e estrangeiros, o país mergulhou numa violenta crise económica que gerou graves conflitos sociais e consequente instabilidade política.

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