Magrebe | Segurança

Tunísia: Receio de recrudescência das operações kamikazes nas acções terroristas

Jund Al-Khilafa (Arquivo)

Os dois terroristas que foram neutralizados na noite de 03 de Janeiro na localidade de Jelma, em Sidi Bouzid na Tunísia, foram qualificados pelo ministério do Interior como “muito perigosos”. Os dois terroristas decidiram accionar os seus coletes armadilhados precisamente no momento em que as forças de segurança tunisinas chegaram ao local onde estava os dois jovens kamikazes.

Segundo o ministério do Interior Tunisino, Ezzeddine Ben Lazhar Ben Sassi Aloui, de 27 anos, e Ghali Ben Habib Ben Mohamed Esghaïer pertenciam a um grupo dissidente da organização Jund Al-Khilafa (Soldados do Califado) tendo integrado a Katibat Attaouhid wal-Jihad, da qual a maior parte dos membros foi “oficialmente” neutralizado durante uma operação a 5 Dezembro de 2018 de decorreu numa casa alugada na localidade de Lassouda em Sidi Bouzid.

A katiba harakat Attaouhid wal-Jihad (Movimento pela Unidade da Jihad), que na realidade é um ramo da Jund Al-Khilafa, versão local da organização Estado Islâmico, adoptou uma designação que é intencionalmente semelhante a um ramo da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) quando em 2011 combatentes “árabes” decidiram prestar fidelidade a Abu Bakr al Baghdadi. Em paralelo, está a katiba Uqba ibn Nafi cuja doutrina respeita a corrente da Al-Qaeda. Duas organizações que, na teoria, são rivais.

No entanto, em resposta à multiplicação das acções das forças de segurança, as duas organizações jihadistas optaram por transformar a rivalidade em cooperação dando ênfase às visões comuns. Nesta dinâmica nasceram duas células, a Khaliyat al Istichhaadiyine (célula dos mártires que morrem por explosão) e Al Mossabiline (Sacrificados).

O conceito de “al istichad”, ou seja o “sacrifício” como “mártir”, tornou-se consequentemente na táctica privilegiada pela harakat Attaouhid wal-Jihad que prioriza os ataques suicidas aos combates corpo a corpo, que poderiam causar maior número de vítimas entre os jihadistas.

“Os recentes ataques na Tunísia revelam que estão em curso e em preparação outras acções, uma constatação que se apoia também no facto de os novos recrutas já terem atingido uma maturidade operacional. O pior ainda está para vir”, alertou um especialista dos movimentos jihadistas que pediu anonimato.

RN/KR

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