Clima de violência contra sírios continua a aumentar no Líbano

Um cidadão sírio foi esfaqueado até à morte perto de Beirute, na passada noite de domingo, na sequência de uma altercação no bairro de Burj Hammoud. As autoridades libanesas ainda não avançaram com detalhes sobre o crime, que constitui mais um episódio sangrento alinhado com a crescente onda de violência contra sírios no Líbano.

O assassínio do político Pascal Sleiman, líder do partido Forças Libanesas em Jbeil no início de abril, atribuído a um gangue sírio, despoletou inúmeros ataques violentos contra sírios em diversos bairros predominantemente cristãos, colocando em sério risco a sua segurança pública e laboral.

O fenómeno não é recente, crimes pontuais contra sírios têm ocorrido no Líbano ao longo dos anos, e segundo a Human Rights Watch, as autoridades libanesas têm detido arbitrariamente, torturado e deportado à força cidadãos sírios (mais de 13 mil indivíduos foram expulsos em 2023), incluindo activistas da oposição e desertores do exército. As mesmas autoridades libanesas têm também imposto medidas discriminatórias para limitar o movimento de nacionais sírios, incluindo recolher obrigatório e pontos de verificação espalhados em áreas urbanas, onde muitos acabam por ser interrogados e detidos.

A população síria no Líbano constitui cerca de 1.5 milhões de indivíduos, muitos deles a viver em circunstâncias extremamente precárias. Os campos de refugiados, em particular, pecam por falta de higiene, segurança e estão potencialmente expostos a incidentes graves, como o incêndio num campo perto de Zahlé na semana passada, que deixou quase 500 pessoas sem casa, ou as inundações devastadoras em Akkar no início deste ano. Há ainda aqueles que tentam fugir do Líbano através do mar, em embarcações ilegais, porém, estas tentativas de fuga, por vezes envolvendo centenas de refugiados, são impedidas tanto pelas autoridades libanesas (que deportam os detidos para a Síria – por conseguinte violando leis internacionais, de acordo com a organização humanitária Amnesty International) ou pelo próprio mar (por exemplo, em Setembro de 2022, 77 refugiados morreram afogados na costa mediterrânea libanesa).

Contudo, e apesar das campanhas de sensibilização por parte de diversas organizações ao longo dos anos para as condições vulneráveis dos refugiados sírios no Líbano, a pressão social e política continua a crescer.

Esta semana, o Primeiro-Ministro libanês Najib Mikati declarou que a maioria dos cidadãos sírios será deportada assim que a comunidade internacional reconhecer a existência de zonas seguras na Síria, um país a viver uma guerra que perdura há 13 anos.

João Sousa

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *




Artigos relacionados

Angola: Isabel dos Santos diz que "alerta vermelho" da Interpol tem "informações falsas"

Angola: Isabel dos Santos diz que "alerta vermelho" da Interpol tem "informações falsas"

A empresária angolana Isabel dos Santos vai contestar o “alerta vermelho” da Interpol, solicitado pelo Estado angolano, por se basear…
Timor-Leste: Xanana diz que timorenses são "verdadeiro motor de desenvolvimento"

Timor-Leste: Xanana diz que timorenses são "verdadeiro motor de desenvolvimento"

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, falou nesta sexta-feira, 17 de maio, sobre a importância de capacitar e formar recursos humanos no…
Macau: Antigos jogadores portugueses promovem prática de atividades desportivas

Macau: Antigos jogadores portugueses promovem prática de atividades desportivas

Decorre este sábado, no Centro Desportivo Olímpico – Zona Multiusos, na Taipa, o evento “Legends of Tomorrow”, que vai integrar…
Bispo de Aveiro destaca a “a coragem e a firmeza da fé” dos cristãos perseguidos

Bispo de Aveiro destaca a “a coragem e a firmeza da fé” dos cristãos perseguidos

Na sessão de apresentação na Diocese de Aveiro do relatório sobre a Liberdade religiosa no Mundo, da responsabilidade da Fundação…