Conflito sírio abre brechas na aliança da Turquia com os EUA

Dezenas de veículos militares turcos entraram ontem, quinta-feira, cerca de 200 metros no interior da região síria-curda de Aleppo, segundo a agência de notícias ANHA, que adianta ainda que os militares iniciaram a escavação de uma trincheira entre as cidades de Sorka e Meydan Ekbis.

Esta ação segue-se à construção de um muro de betão na fronteira com a Síria na mesma área geográfica (distrito sírio-afrin), com população predominantemente curda (cerca de 170 000 habitantes) que faz parte da região autónoma, desde 2013, de Rojava, conhecida como ‘Curdistão Sírio’.

Entretanto, o exército turco intensificou durante toda esta semana os bombardeamentos contra posições da milícia síria-curda YPG no norte da Síria. Nos últimos dias, surgiram indicações que o exército turco terá usado pela primeira vez mísseis nestes ataques.

O Conselho de Segurança das NU já reagiu a estes desenvolvimentos, na terça-feira, instando a Turquia a respeitar o Direito internacional.

Esta radicalização da posição turca face aos curdos sírios, que considera serem uma ramificação dos curdos turcos do PKK que promovem ativamente o separatismo do curdistão turco, choca com os interesses dos aliados norte-americanos que consideram o YPG um instrumento fundamental na luta contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

Nos últimos dias registou-se também um aumento da tensão diplomática entre os dois aliados, com declarações públicas de altos responsáveis governamentais turcos a acusarem os EUA de dois pesos e duas medidas no que diz respeito ao tratamento a dispensar aos grupos terroristas envolvidos no conflito sírio.

Pelo seu lado, os EUA pressionam as autoridades turcas a controlarem eficazmente toda a fronteira com a Síria, depois de o ministro da Defesa russo ter divulgado imagens de satélite que comprovam o tráfico ilegal do petróleo explorado pelo EI através da fronteira turca com destino aos portos do Mediterrâneo. A Rússia acusa o presidente turco Recep de beneficiar diretamente das receitas deste tráfico de petróleo e de estar a ajudar o Estado Islâmico no combate ao regime de Bashar al Assad.

 

 

 

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