Jornalismo mundial atravessa crise de liberdade de imprensa

Este ano, o Dia Mundial da Liberdade da Imprensa, comemorado anualmente no dia 3 de maio, foi marcado pela publicação de um relatório pelo grupo Repórteres Sem Fronteiras alertando para um declínio na liberdade profissional dos jornalistas em vários países. Segundo o relatório, em 2023, 779 repórteres foram detidos, sendo a China o país mais repressivo para o jornalismo, seguido por Myanmar e Bielorrússia. A Rússia ocupa o 4° lugar na lista de países com mais jornalistas detidos (22 em total), fenómeno exacerbado na sequência da guerra na Ucrânia, quando cerca de 1500 repórteres fugiram do território russo. Israel, por seu lado, tem o mesmo número de jornalistas presos que o Irão (17 em cada país), número que aumentou desde o início da guerra com o Hamas, em Gaza.

Israel tem sido também acusado de ferir e assassinar intencionalmente jornalistas durante a cobertura da guerra na Palestina e Líbano e a violar leis internacionais com ataques e detenções ilegais a profissionais da imprensa. Segundo o Comité de Proteção de Jornalistas, o estado israelita foi responsável pelos assassínios de mais de 100 repórteres (a maioria Palestinianos), 3 dos quais no Líbano. O governo de Tel Aviv tem sido ainda pesadamente criticado por não permitir a entrada de jornalistas estrangeiros, em Gaza, desde o dia 7 de outubro de 2023.

O Dia Mundial da Liberdade da Imprensa foi também assinalado no Líbano pelo luto feito aos três jornalistas libaneses assassinados no ano passado perto da fronteira com Israel. Entretanto, o Líbano recebeu recentemente a decisão do Tribunal Penal Internacional em avançar com o processo de acusação de crimes de guerra israelitas, nomeadamente na sequência do assassínio do jornalista da Reuters Issam Abdallah, no dia 13 de outubro de 2023, cujas provas têm sido documentadas pela agência noticiosa AFP e pela organização Human Rights Watch.

João Sousa

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