Médio Oriente

Justiça da Arábia Saudita pede pena de morte para defensora dos direitos humanos

O procurador público da Arábia Saudita pediu a pena de morte para cinco ativistas de direitos humanos da província oriental do reino, atualmente em julgamento num tribunal secreto de terrorismo, disseram grupos que incluem a Human Rights Watch (HRW).

Entre os detidos está Israa al-Ghomgham, que, segundo os ativistas sauditas, foi a primeira mulher a enfrentar a pena de morte por defender direitos humanos. As acusações contra Israa incluem incitamento ao protesto e apoio moral aos manifestantes.

“Qualquer execução é chocante, mas pedir a pena de morte para ativistas como Israa al-Ghomgham, que nem sequer são acusados de comportamento violento, é monstruoso”, disse Sarah Leah Whitson, diretora da HRW em comunicado divulgado esta quarta-feira.

A ALQST, um grupo de direitos sauditas sediado em Londres, relatou a decisão envolvendo o caso de Ghomgham no início desta semana.

O gabinete de imprensa do governo não respondeu imediatamente a um pedido de comentários.

A Arábia Saudita, uma monarquia absoluta em que protestos públicos e partidos políticos são proibidos, promulgou algumas reformas sociais e económicas de alto nível nos últimos anos.

As reformas foram, no entanto, acompanhados por um aumento de repressão, com dezenas de clérigos, intelectuais e ativistas a serem presos no ano passado, incluindo mulheres que fizeram campanha pelo direito de conduzir no país muçulmano profundamente conservador.

Ghomgham é uma proeminente ativista muçulmana xiita que documentou manifestações em massa na Província Oriental a partir de 2011. Foi presa em sua casa em dezembro de 2015 juntamente com o seu marido.

A maioria da minoria xiita do país vive na Província Oriental, produtora de petróleo, e alguns reclamam que as suas cerimónias religiosas são proibidas ou interferidas por autoridades sunitas, e que lhes faltam oportunidades de trabalho e educação. O governo negou as acusações.

A Arábia Saudita já executou ativistas xiitas no que grupos de direitos humanos apelidam de acusações politicamente motivadas. As autoridades enquadram os protestos entre os xiitas no contexto das tensões com o poder xiita e o rival regional Irão, que acusou de fomentar a agitação.

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