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Actualização: Ataque da AQMI no Burquina Faso causou 29 mortos

O ministro da Administração Interna do Burkina Faso, Simone Campaore, citado pela Agência France Press, na tarde de ontem, 17 de janeiro, afirmou que dois cidadãos portugueses terão morrido durante os ataques terroristas.

No entanto, subsistem dúvidas relativamente à acuidade desta informação. A única vítima portuguesa confirmada é António de Oliveira Basto, funcionário da empresa francesa de transportes Scales. Outros dois seus colegas de nacionalidade francesa, funcionários da mesma empresa, faleceram também na mesma ocasião. Além destes, Simone Campaore confirmou a morte de uma família ucraniana (dois adultos e uma criança, que eram os donos do café Cappucino), quatro canadianos, dois suícos e um holandês.

Esta lista, todavia, carece de confirmação ulterior uma vez que uma Procuradora do país forneceu outra lista de vítimas onde consta apenas o cidadão português citado e seis canadianos (um dos quais poderá ser norte-americano).

Um violento ataque do grupo terrorista Al-Mourabitoune, aliado à Al-Qaeda do Magrebe Islâmico (AQMI) contra o hotel Splendid e o café-restaurante Capppuccino situados na Avenida Nkruma no centro da capital do Burquina Faso, Ouagadougou, causou 29 mortos, dos quais sete mulheres e uma criança, e terá causado cerca de 150 feridos, segundo um balanço provisório. Entre as vítimas mortais de nacionalidade francesa o Quai d’Orsay confirmou a morte do luso-francês António Basto, 52 anos.

Fontes burquinabés relataram que os alvos do comando terrorista foram os ocidentais em Ouagadougou porque o hotel Splendid é habitualmente frequentado por funcionários de agências da ONU no país assim como ponto de encontro dos expatriados ocidentais na capital burquinabé. Pouco antes do ataque ao hotel um comando terrorista disparou intensamente contra os presentes na esplanada  do café-restaurante Capppuccino igualmente muito frequentado por expatriados.

A tomada de reféns iniciou à 19:45 de Sexta-feira e na manhã de Sábado forças especiais burquinabés, apoiadas por tropas francesas e americanas, decidiram lançar um assalto conjunto contra as posições dos terroristas no Splendid e no hotel Yibi, a poucos metros do Splendid, onde os terroristas se entrincheiram.

O primeiro balanço da operação contra os terroristas foi avançado pelo ministro do Interior do Burquina Faso, Simon Compaoré: “176 pessoas, das quais 33 feridas, foram libertadas. Três ‘jihadistas’, um árabe e dois africanos, foram mortos”-

Enquanto durava o ataque a AQMI reivindicou a acção que terá sido efectuada pelo grupo Al-Mourabitoune liderado por Mokhtar Belmokhtar.

O argelino Mokhtar Belmokhtar, o homem mais procurado no Sahel, que por diversas vezes foi declarado morto, foi também o estratega da tomada de reféns do hotel Radisson na capital maliana a 20 de Novembro 2015 e no complexo petrolífero da BP em In Amenas no sul da Argélia em Janeiro 2013. A multiplicação das acções do grupo Al-Mourabitoune de Mokhtar Belmokhtar tem sido interpretada como uma reacção da AQMI para marcar o seu território e destacar-se contra ascensão do grupo terrorista Estado Islâmico no Magrebe e Sahel.

Os ataques contras os hotéis em Ouagadougou e Bamako revelam também a repetição táctica operativa do Al-Mourabitoune com a utilização de jovens terroristas, apenas equipados com armas ligeiras e explosivos e sempre com o objectivo de atingirem alvos frequentados por expatriados Ocidentais que provoquem uma grande mediatização internacional.

Al-Mourabitoune (Os Almorávidas) foi criado em Agosto 2013 durante a guerra no Mali sendo o resultado da fusão do Movimento pela Unicidade e a Jihad na Africa de Oeste (Mujao) e o El-Mouaguiine Biddam (Signatários pelo Sangue).

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